domingo, 2 de março de 2014

MÁSCARA



No canto do quarto, sentado sozinho, 
Repara no espelho um desfile passar:
Os sonhos se foram num redemoinho,
Não há mais menino no rio a brincar.

Foi falsa esperança, velhaco adivinho:
Não basta o sereno p'ra terra invernar.
O logro não veio, o agora é mesquinho;
O porvir segue ainda uma tela a pintar.

Na larga avenida, desce em desalinho
O bloco mambembe, num lento pisar.
Esgueira-se entre a poeira e o espinho,
A máscara que ensaia seu tosco cantar.

No galho lá fora, canta o passarinho:
A vida se espraia p'ra além do espiar.
Há rastro escuso no longo caminho,
Oposto ao destino que intenta chegar.

Eliton Meneses

Um comentário:

Anônimo disse...

meu prezado Eliton
Surpresa agradavel me deparar com seu poema: A mascara.
gostei muito, é uma poema rico, em rimas, em ritmo e em conteudo. Mto bom. Permita-me copia-lo para a minha antologia de poemas, junto aos grandes, Fernando Pessoa, Mario Quintana, Manoel Banddeira Vinicius de Moraes..


Parabéns

Mardone