segunda-feira, 29 de agosto de 2016

RAZÕES DE APELAÇÃO :: CRIME


CURTAS


"A democracia é o lado certo da história." Dilma Rousseff

Se esse golpe se presta a alguma coisa de futuro, essa coisa é a prova do quão forte pode ser uma mulher.

Se esse golpe se presta a alguma coisa de futuro, essa coisa é a prova do quão forte pode ser uma mulher.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

SONETO IV


Tens o peso do mundo em tuas costas;
Uma vida envolta de problemas;
A cabeça repleta de dilemas;
Matutavas atrás de umas respostas.

Receavas descer altas encostas;
Desejavas criar novos sistemas,
Um modelo guiado por poemas,
Que tornasse reais tuas apostas.

Não querias cessar tua risada;
Não pensavas cair numa cilada,
Pois julgavas a vida uma ciranda.
 
Não sabias do mundo quase nada;
Esperavas o fim da estiada,
Vendo a chuva deitado na varanda.

Eliton Meneses

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SANTANA


Santana não aceitava ser chamado só de doutor. Exigia o tratamento adequado. Era pós-doutor. Pós-doutor Santana do Amaral. Não fizera três anos de pós-doutorado numa universidade distante para ser destratado pela gente inculta. Foram muitas noites em claro para ser tratado como qualquer um. Quando o chamavam apenas pelo nome, fingia-se de mouco. Mas se o tratavam por doutor, emendava prontamente: 
– Pós-doutor. Pós-doutor Santana do Amaral.  
De nada adiantava dizerem-lhe que o título acadêmico não importava em tratamento diferenciado na vida cotidiana. 
– Cada macaco no seu galho! Faça pós-doutorado e depois conversamos...    
O pós-doutor Santana era professor de física desempregado. Tanto se dedicara à pós-graduação que se esqueceu de arrumar um emprego. O último que apareceu era longe demais e pagava uma miséria. Sua tese sobre o deslocamento dos anéis de Urano não despertara a atenção de universidade alguma. Para não ficar completamente ocioso, resolveu dar aula de reforço para alunos do ensino médio.
Considerava um insulto os adolescentes tratarem-no apenas pelo nome, quando muito por professor Santana. Tentou inicialmente corrigi-los, mas foi debalde. Um deles foi logo dizendo:
– Deixa de besteira Santana! Doutor é quem tem dinheiro!

sábado, 13 de agosto de 2016

VIDA DE REPÚBLICA VII


Minha relação com o Direito foi bem conflituosa. No primeiro semestre, fui algumas vezes estudar à tarde na biblioteca da faculdade, mas logo passei a andar com mais frequência na do Centro de Humanidades, cujo acervo me agradava mais. No Direito, os livros era velhos e intragáveis; na Humanidades, encontrei o que gostava, literatura, história, filosofia... Nos primeiros semestres do curso, o que menos estudei foi direito, em vez disso li muito Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda, Celso Furtado... Esse deleite teve um preço, as notas das primeiras disciplinas foram um tanto sofríveis.  
Ia a pé da 1665 para a faculdade, de chinelo, calção e camiseta velha. A maioria dos colegas de turma já chegava de carro, roupas elegantes, perfume importado, celulares e carteiras volumosas. Naturalmente, as afinidades foram poucas. Só no segundo semestre, quando apareceram o Chagas e o Rangel, ambos também interioranos, a coisa melhorou um pouco.    
Mantive inconscientemente o embalo da preparação para o vestibular. Normalmente dormia depois de uma da manhã, estudando na sala dos fundos da Réu. Bernaldo, em preparação para concurso, antes da meia noite pedia arrego. Na sala de estudo da casa vizinha um estudante de medicina lia até mais tarde.
A política estudantil nessa época estava em franca decadência. A fama do centro acadêmico e do diretório central dos estudantes era horrível. Quando o comando do DCE caiu nas mãos da turma que se reunia na Réu, comprovei que a decadência era completa e fiquei aliviado por não ter participado. Tinha consciência de que minha formação encerrava lacunas enormes que precisavam ser colmatadas com muitas leituras, sobretudo extrajurídicas. A prioridade era arranjar um estágio e passar num concurso antes de terminar o curso, além de melhorar a formação geral. 
Dava umas aulas particulares na Aldeota de matemática e física, e saía apressado para o inglês na Casa de Cultura. Um residente vizinho havia aconselhado que eu nem fizesse a prova de admissão, pois o inglês da Cultura era muito concorrido e poucos residentes passavam. Ele tinha passado, mas... Notei a empáfia. Ele podia; eu, não. Fiz a prova e tirei o primeiro lugar geral.
Antes do meio do curso fiz uma provinha e fui chamado a estagiar no escritório modelo da faculdade. Como era residente, ganhei uma bolsa de meio salário mínimo. Segunda, quarta e sexta passava toda a manhã atendendo à população carente. Isso durou pouco tempo, o ritmo de estudo continuou e, logo em seguida, passei em dois concursos: um para técnico da Justiça Federal e outro para escrivão da Polícia Civil. Quando já ia para o curso de formação da Polícia, a Justiça Federal me nomeou e as coisa tomaram um novo rumo. Meu primeiro salário correspondia a dez salários mínimos. Tomei um susto quando vi tudo aquilo na conta. Depois disso, os colegas de celular e carteira volumosa passaram a me olhar com simpatia e alguns até me procuraram para pedir umas dicas de como passar em concurso.    
Continuei sobriamente a vida de residente. Quando não dava tempo ir ao restaurante universitário, comia numa espelunca o almoço de setenta centavos. Caçador se espantava. Dizia que eu devia passar a comer em restaurante sofisticado... Continuei inclusive como diretor da Réu, até que o Irmão me denunciou na Pró-reitoria. Irmão era meu amigo, mas, como pretendia ser diretor, resolveu ir na Pró-reitoria dizer que eu já estava empregado e que tinha inclusive comprado um carro. O máximo que consegui foi o prazo de um mês para desocupar. Acho que ele leu "O Príncipe", que me havia pedido emprestado e nunca devolveu. Leu e não entendeu, porque o Gilmar ficou como diretor provisório, herdando a cobiçada bolsa de meio salário, e, meses depois, o Irmão, em vez de se tornar diretor, foi mais uma vez expulso de uma Réu.

domingo, 31 de julho de 2016

CONSTITUIÇÃO FEDERAL


TÍTULO X
ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS

Art. 98. O número de defensores públicos na unidade jurisdicional será proporcional à efetiva demanda pelo serviço da Defensoria Pública e à respectiva população. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)

§ 1º No prazo de 8 (oito) anos, a União, os Estados e o Distrito Federal deverão contar com defensores públicos em todas as unidades jurisdicionais, observado o disposto no caput deste artigo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)

§ 2º Durante o decurso do prazo previsto no § 1º deste artigo, a lotação dos defensores públicos ocorrerá, prioritariamente, atendendo as regiões com maiores índices de exclusão social e adensamento populacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014) (negritamos)

O QUE HOUVE, AMIGO?


Por que estás assim capiongo?
Não imaginavas ser tão longo
O mar que estás atravessando?
Sei bem no que estás pensando:
As águas deveras 'tão revoltas,
Mas as velas precisam estar soltas
Para a jangada cruzar o temporal.
Esse balanço, amigo, bem ou mal,
É o compasso da vida, que não para;
Às vezes, no outro nem se repara,
Até que o mal se achegue a nós.
Agora, amigo, que estamos a sós,
Diga-me o que queres então fazer,
Não queiras somente maldizer
Os céus pela graça não recebida;
Ainda não é tempo de partida;
Estás meio assim, acabrunhado,
O rosto um tanto encarquilhado,
E pede-me encarecido um conselho?
Amigo, não sou nenhum espelho,
Não sei como finda a tempestade
Ou mesmo se existe uma verdade;
Só sei que é preciso ter coragem;
E, se queres ainda uma mensagem:
Vamos, amigo, sigamos em frente.
É hora de remar, tranquilamente,
Nós dois, juntos, no mesmo barco,
Que uma hora, talvez sem perceber,
Chegaremos enfim naquele marco
Que no horizonte começa a aparecer.

Eliton Meneses

MAIS MÉDICOS


O que dizer para uma médica cubana que, em Coreaú, me relata sua experiência profissional na América Latina?
– ¡Que esta revolución sea eterna!

P.S.: Anayansi Arambary Serra é de origem humilde, é de Matanzas, Cuba, e participa do Programa Mais Médicos.

terça-feira, 26 de julho de 2016

FUTEBOL


Quando eu era menor eu não gostava de futebol quando meu pai disse que o Ceará perdeu para o cruzeiro eu não fiquei triste porque eu não sabia direito eu pensava que so os times grandes batiam os pequenos meu pai me levava para ver o treino do Ceará mas eu não ficava nem a i porque eu não amava futebol quando eu fui para a Argentina meu pai me levou para o labombonera ele disse que i a comprar uma camisa do Boca pra mim a i fiquei animado mas não comprou, um dia meu pai me convidou para ir a o jogo Ceará x chapecoense eu ele e o amigo dele quando ouvi a torcida cantar fiquei interessado quando o Ceará vez um gol fiquei muito feliz o jogo terminou no 1x1 no pv eu comecei a gostar de futebol , mas quando fui primeira vez no castelão não entrei com o Magno Alves que hoje e do Flu mas quando entrei no estádio e ouvi a torcida cantar fiquei emocionado e comecei a cantar também mas quando o jogo terminou fiquei super feliz ver o meu time ganhar de 2 x 0 do Vasco Sendo também que o Ceará tinha perdido fora de casa do Vasco, mas descontou em casa , depois fui para vários outros jogos no castelão fiquei Apaixonado por futebol quando fui para o primeiro clássico rei fiquei animado quando o Ceará Abriu 1 x 0 mas no final o Fortaleza virou mas no segundo jogo o Ceará venceu por 2 x 1 o Fortaleza e a i eu fiquei muito feliz . E foi assim que eu virei um grande apaixonado por futebol.

João Pedro Fontenele

sábado, 23 de julho de 2016

DIÁRIO DE VIAGEM



Quando menino, costumava deitar-me no cimento frio da sala de casa, enquanto o pessoal assistia à novela das oito. O vento da noite varria o corpo esquálido e os pensamentos pegavam carona no caminhão que cruzava a rodovia próxima e seguiam mundo afora. 
Tia Oneida um dia sussurrou:
– Tão magrinho! Dá até pra contar as costelas!
Pensava em lugares distantes, como a Rússia fria; viajava por estradas compridas que davam no mundo inteiro, muito embora nunca tivesse ido à vizinha Moraújo. Talvez a dificuldade de ir para além da própria rua, às vezes da própria porta de casa, tenha-me despertado o interesse de conhecer o mundo. 
Nestas férias, saímos de carro sem itinerário certo. A ideia era seguir pelo litoral até Alagoas, sem nenhum cronograma, sem reserva de hotel, parando onde desse na telha. De Fortaleza a Natal cruzamos um trecho comprido; passamos por Mossoró e seguimos pelo sertão potiguar numa estrada reta quase sem fim. Não notei nenhuma diferença entre o sertão e o agreste; apenas próximo ao litoral a paisagem tornou-se verdejante. Chegamos em Natal no começo da noite e fomos à Ponta Negra atrás de hotel. Na segunda tentativa achamos um bem razoável com vista para o Morro do Careca. Jantamos nos arredores ao som de um autêntico forró e depois fomos dormir; no meio da manhã seguinte iríamos para Recife.
Na BR-101, os canaviais a perder de vista e alguns resquícios de floresta da Zona Mata descortinaram um cenário paradisíaco. A via duplicada e bem conservada garantiu uma viagem rápida e prazerosa até Recife. Na Paraíba, paramos apenas para abastecer e recordamos, no percurso, em meio ao verde da cana, os romances de José Lins do Rego e José Américo de Almeida, enquanto cantavam Táxi Lunar os também paraibanos Zé e Elba Ramalho...
No Recife ficamos três dias num hotel barato em Boa Viagem, reservado previamente por um aplicativo baixado no celular. Assim, conseguimos a um só tempo segurança, comodidade e preço baixo. Outro aplicativo baixado foi o Google Maps, que serviu bastante na orientação. Rodamos por Recife sem qualquer problema, como se já a conhecêssemos, graças ao Google Maps.
Passamos praticamente um dia inteiro no centro histórico de Olinda, onde tivemos a grata surpresa de encontrar o amigo Hilton, de Aracati. Olinda é de encher os olhos, um patrimônio histórico da humanidade, um dos lugares mais belos do Brasil.
Em Recife, relemos Morte e Vida Severina, do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, e fizemos um típico programa de cidade grande. Num dos dias, fomos a Porto de Galinhas, a 60 quilômetros da capital, que continua bela e encantadora, conquanto já bastante urbanizada. 
No dia seguinte, tomamos a famosa BR-101 com destino a Maragogi, nas Alagoas. Erramos o caminho; deveríamos ter ido pelo litoral e não pela 101; os 120 quilômetros previstos tornaram-se mais de duzentos. De toda sorte, entre a despovoada Gameleira e o litoral passamos pela região mais pitoresca de toda a viagem, um cenário típico de um Brasil Colonial. 
Ficamos dois dias em Maragogi. Imaginava ser uma vila de pescadores, mas encontrei uma cidade com Fórum, Prefeitura, centro comercial... As piscinas naturais, por conta da maré, estavam interditadas. Fizemos outro passeio,  mergulhamos e vimos alguns peixes. As águas, devido ao inverno, estavam um pouco turvas. Maragogi não foi exatamente o que imaginávamos, mas, como diz o poeta, tudo vale a pena, se a alma não é pequena...
Na volta, passamos pela bela João Pessoa, na Paraíba. Assistimos ao jogo Botafogo x Ceará, num estádio Almeidão decrépito, passamos a manhã seguinte na Estação Ciência, demos uma espiada na Ponta do Seixas e fomos almoçar com a amiga Adlany, ex-colega de PGE/RR. 
No mesmo dia seguimos para Natal para jantar com o amigo Mardone, coreauense que até então conhecíamos apenas nas lidas virtuais.    
Depois de uma parada em Canoa Quebrada para um café, chegamos em Fortaleza ao final de quase dez dias de estrada, numa aventura única e inesquecível.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

MORDAÇA


Escola sem partido;
Família sem partido;
Igreja sem partido...
Um único partido:
Partido sem partido.

Eliton Meneses

segunda-feira, 18 de julho de 2016

SONETO III


Saímos com destino às Alagoas,
Parando onde o sol desse parada;
Em qualquer canto belo da estrada,
Que merecesse as mais sinceras loas.

Cruzamos muitos rios e gamboas,
Por entre a verde cana celebrada;
Depois da noite fria na pousada,
Cortamos rasas praias em canoas.

Ficamos com a vista marejada
E com a mente livre de garoas,
Pela estima no meio encontrada.

Norteando melhor as nossas proas,
Concluímos no fim dessa jornada:
Que o que fica mesmo são pessoas.

Eliton Meneses