terça-feira, 26 de março de 2024

Soneto CII


Quando o sol despertar no horizonte,
Quero estar já bem longe no caminho;
Para além da tristeza, estar sozinho,
Para enfim saciar-me em outra fonte. 

Foi quimera escalar o belo monte,
Cujo cume alcançei em desalinho;
Enervado na festa, findo o vinho;
Passageiro da barca de Caronte. 

Desdenhei os sinais defronte a cara;
Os arroubos durante a madrugada,
Os esquivos desvios de uma vida.

Um poeta uma vez me avisara:
Amanhã será ponto de chegada,
O que ontem foi ponto de partida.

Eliton Meneses 

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