domingo, 2 de fevereiro de 2014

HOMO CACTUS



Sou um cardeiro de asa,
Uma planta desfolhada,
Com raiz atada ao chão.
Tenho caule feito brasa,
De rama encarquilhada
E espinhos de proteção.
O meu leito é cova-rasa;
Sorvo seiva na alvorada;
Lanço flores na estação.
Fiz na pedra firme casa;
Cedo fruto à passarada;
Canto a vida sem refrão.
Na seca que tudo arrasa,
Sou criatura arretada:
Homem-cacto do sertão.

Eliton Meneses

Um comentário:

Anônimo disse...

Poeta Cactus a alimentar a alma de doutos e incautos
trazendo a Palma no canto, na lira, no olhar...
Ontem, o sertanejo
Hoje, o bardo a alimentar os bichos, bichos que sonham!
Os bichos que aprenderam um Canto próprio.

Um forte abraço Caro amigo