sábado, 5 de maio de 2012

AONDE VOCÊ QUER CHEGAR?



Aonde você quer chegar?
Com o traseiro sentado na poltrona
E a boca aberta para o ar!
Se você não lê o que eu escrevo,
Nem me revela o que tem a falar!
Aonde você quer chegar?
No cume alvo do Himalaia,
Ou nas fossas sombrias do mar?
Se há um rio caudaloso a ser cruzado,
Mas não há ponte nem você sabe nadar.
Aonde você quer chegar?
Sem um livro para ler do seu lado,
Sem uma mão amiga a lhe consolar.
Se os seus amores estão distantes,
E as pessoas do lado esqueceu de amar.
Aonde você quer chegar?
Se o vento lhe leva como uma folha,
E a sorte não lhe resolveu bafejar.
Se a vida é uma estrada de sonhos,
E lhe falta a coragem de caminhar.
Aonde você quer chegar?
Se você não estende a mão amiga,
E a alheia miséria lhe faz gargalhar.
Se você se esconde da tempestade,
E se ufana quando começa a clarear.
Aonde você quer chegar?
Se não engana sequer a si mesmo,
A quem mais você pensa enganar?
Se a um passo encontra o abismo,
E o paraíso é tão difícil encontrar!
Aonde você quer chegar?
Se a vida não foi o sonho de criança,
E o tempo não lhe permite mais voltar.
Se não conseguiu melhorar o mundo,
Ao menos a si mesmo procure mudar!

Eliton Meneses

quinta-feira, 3 de maio de 2012

DEFENSORIA PÚBLICA - DIA DE PARALISAÇÃO



                                   03.05.2012 - 1ª Paralisação - de 24 horas


Defensores Públicos na Assembleia Legislativa acompanhados dos movimentos sociais, na luta pela autonomia e pela valorização da carreira que garante o acesso à Justiça a mais de 80% dos cidadãos cearenses. No centro, o mapa do Estado do Ceará com destaque para as comarcas sem Defensoria Pública – 74% delas.

É paradoxal que, no mesmo Estado, no sistema de Justiça, o órgão julgador e o órgão acusador sejam estruturados e remunerados dignamente, ao passo que o órgão defensor padece de uma crônica indiferença remuneratória e estrutural.
É estranho que somente ao órgão vocacionado a defender os direitos dos cidadãos  especialmente os mais desvalidos, parcela francamente majoritária da população  seja negada a igualdade de tratamento, na contramão do que já dispõe a Constituição Federal.
Talvez a lamentável discriminação somente revele um trágico viés que permeia  ostensiva ou subliminarmente  a atuação dos nossos representantes políticos ao longo de toda a nossa história. Uma postura que teima em encarar os cidadãos não como a fonte primária de todo o poder, mas como mera massa de manobra cujo voto seria um mal-necessário nas ambições elitistas pela manutenção do poder. 
Talvez o duradouro tratamento discriminatório tenha deixado a todos meio anestesiados e algo descrentes na efetivação dos próprios direitos, a ponto de gerar um quadro que beira a letargia social. Mas é preciso urgentemente despertar, identificar as raízes do problema, educar o povo de seus direitos, conclamá-lo a lutar pela retomada do poder que originariamente lhe pertence.
Eis o cenário atual da Defensoria Pública, historicamente renegada, mas paulatinamente fortalecida e afirmando-se como instrumento de transformação social e de libertação da hipossuficiência, aliando-se à heroica resistência dos movimentos populares, por intermédio da educação em direitos, da promoção dos direitos humanos e da defesa dos cidadãos na luta por um mundo mais justo.  

Francisco Eliton A Meneses
Defensor Público

terça-feira, 1 de maio de 2012

E EDNA GANHA A LIBERDADE


"A acusada é multiplicadamente marginalizada: por ser mulher, numa sociedade machista; por ser pobre, cujo latifúndio são os sete palmos de terra dos versos imortais do poeta; por ser prostituta, desconsiderada pelos homens mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este mundo; por não ter saúde; por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si, mulher diante da qual este Juiz deveria se ajoelhar; numa homenagem à maternidade; porém que, na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia.

É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho: liberdade para Edna e liberdade para o filho de Edna que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha a este mundo tão injusto com forças para lutar, sofrer e sobreviver.

Quando tanta gente foge da maternidade; quando milhares de brasileiras, mesmo jovens e sem discernimento, são esterilizadas; quando se deve afirmar ao Mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso distribuir melhor os bens da Terra e não reduzir os comensais; quando, por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis, mulheres se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum, com o feto que traz dentro de si.

Este juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios, trairia a memória de sua Mãe, se permitisse sair Edna deste Fórum sob prisão.

Saia livre, saia abençoada por Deus, saia com seu filho, traga seu filho à luz, que cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um mundo novo, mais fraterno, mais puro, algum dia cristão.

Expeça-se incontinenti o alvará de soltura".

(Despacho proferido em 09.08.1978, na 1.ª Vara Criminal de Vila Velha, no ES. Publicado no livro “Uma Porta para o Homem, no Direito Criminal”, de João Baptista Herkenhoff. Rio de Janeiro, Ed Forense, 2001, 4.ª Edição, pág. 2 e 3).


Numa tarde de agosto, há 33 anos, uma mulher chamada Edna foi levada à 1.ª Vara Criminal do Fórum de Vila Velha (ES). A primeira coisa que o juiz João Baptista Herkenhoff notou foi a gravidez avançada da moça. Edna havia sido presa com 10 gramas de maconha e já estava detida há 8 meses: “Me lembro daquele dia como se fosse hoje por causa do sentimento que tomou conta de mim. Quando vi aquela moça quase dando à luz, presa todo aquele tempo por ter sido encontrada com 10 gramas de maconha eu tive uma ira santa. Pensei em todos os criminosos que andam soltos por aí e como a nossa sociedade é injusta com os mais fracos”, lembra o juiz. 
Herkenhoff colocou Edna em liberdade. O texto do despacho (acima) é uma “explosão” emocionada de indignação e defesa à vida. Assim que terminou a leitura da decisão do juiz, a moça perguntou, timidamente: “Estou livre, mesmo?”. Diante da confirmação, ela fez uma promessa: se o filho que estava para nascer fosse homem, seria chamado João Baptista.
O despacho do juiz Herkenhoff mudou radicalmente a vida de Edna. Além da liberdade, a ex-presidiária recuperou a dignidade. Naquele dia Edna resolveu abandonar a prostituição. Quem conta é o próprio juiz, que só soube disso muitos anos depois. “Um dia uma mulher me ligou e pediu se poderia me fazer uma visita. Era a Edna. Eu já estava aposentado, por isso a recebi aqui em casa. Quando eu abri a porta tive uma surpresa: ela estava acompanhada de uma moça. Era o bebê que ela esperava no dia da sentença. Como nasceu uma menina, ela chamou-a de Elke Maravilha”, diz Herkenhoff.
Edna nunca esqueceu aquela tarde de agosto e as mudanças que as palavras do juiz determinaram na vida dela. “Ela conheceu um homem bom, se casou e teve outros três filhos além daquela menina. Fez questão que eu soubesse disso porque achou que me daria uma alegria. E foi mesmo uma alegria imensa”, confessa Herkenhoff.
A história de Edna está no livro “Uma porta para o homem no Direito Criminal”, que o juiz Herkenhoff escreveu para estudantes de Direito e que já está na quarta edição. “Assim como essa, todas as histórias do livro são verdadeiras”, garante. Herkenhoff tem 75 anos; aposentado, mora em Vitória (ES), e é militante dos movimentos sociais e dos direito humanos. 
(Phoenix Finardi) (com breve adaptação)

Fonte: http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/herkenhoff/textos1/juiz_sensato.htm

Obs.: O professor João Baptista Herkenhoff – grande figura humana – ministrou um dos módulos do curso de especialização em Direito Público da UNIFOR, que participamos, como aluno, no ano de 2001. Na ocasião, ganhamos, de suas mãos, o livro "Direito Humanos: Uma Idéia, Muitas Vozes".

segunda-feira, 30 de abril de 2012

RESPOSTA A LEONARDO PILDAS


Estimado Leonardo Pildas,

Recordo de, ainda criança, ter lido um belo texto de sua lavra e de, curioso, ter indagado a minha mãe sobre quem seria Leonardo Pildas. As palavras dela foram as mais elogiosas, tendo ressaltado com especial carinho que a sua saudosa genitora havia sido professora dela.
Daí, guardei o seu nome, pelo talento estampado no texto e pela coincidência materno-escolar. Aliás, meu "Menezes" é gravado com "s", por um lamentável lapso cartorário, mas deveria ser com "z", tal como o seu, porque sou "Menezes" pela linha materna e paterna; de modo que, se formos perscrutar nossas ascendências, seria provável encontrar entre nós algum parentesco não tão remoto.
Depois daquele primeiro texto, já li muita coisa sua, crônicas, contos, poemas, memórias (...). Tudo sempre escrito com refinada erudição, com notável valor na forma e no conteúdo. Posso confessar que sou um seu leitor voraz. E como um razoável leitor que me considero, reconheço-lhe como um grande mestre da pena – e da cultura em geral –, cuja envergadura transcendente em muito os limites palmenses.
Certa feita, nas minhas andanças pelos sebos da capital alencarina, há um lustro aproximadamente, dei com você n'O Geraldo, acorrendo-me um enorme desejo de entabular um colóquio. Lamentavelmente, o meu irritante acanhamento não o permitiu, permanecendo ainda hodiernamente a frustração pelo desencontro.
Saiba, portanto, de antemão, que lhe devoto toda a minha reverência, reconhecendo em você um enorme talento que enobrece sobremaneira a cultura palmense.
Tirante o apreço intelecto-cultural, que já nutria por você há tempos, agora lhe tenho outro, para mim ainda mais relevante, relacionado à nobreza do caráter, à solicitude no trato e à humildade de reconhecer as próprias limitações.
Confesso que fiquei meio apreensivo antes de abrir o seu texto enviado por e-mail, por recear ter eu revelado porventura um viés de ingratidão por tudo quanto você tem feito ao longo de décadas em prol do engrandecimento cultural da nossa terra. Mas eis que tive a grata surpresa de deparar com uma gentil aceitação da crítica, com a humildade inerente aos grandes de reconhecer os próprios deslizes, em meio a uma emocionante confissão de apaixonada dedicação e dos percalços que envolveram o preparo da grandiosa obra sobre nossa terra e nossa gente.
Tais palavras soaram-me qual um poema, por refletirem, além da grandeza do escritor, a grandeza do homem – somente não descoberta antes decerto por não conhecê-lo pessoalmente.
Os seus 18 (dezoito) anos dedicados à "História de Coreaú", Pildas, nos renderam uma obra grandiosa. Uma obra digna de muitos encômios, que dignifica demasiadamente a cultura palmense. Uma obra notoriamente produzida com amor, talento e dedicação.
No entanto, como toda obra humana, é natural que carregue algumas omissões. E a benção de tê-lo ainda jovem e saudável nos dá a confiança de que eventuais lacunas serão colmatadas em edições vindouras.
A crítica no tocante à maior ênfase que esperávamos no enfoque da questão agrária que vitimou o Benedito Tonho é uma ressalva pontual que em nada ofusca a grandeza da sua obra. Imagino o quão difícil para você, à época na Bahia, tenha sido colher informações sobre o episódio que vitimou o Benedito Tonho, mormente numa época ainda distante das comodidades proporcionadas pelo internet...
Outro aspecto não tão pontual, mas necessário, caso a obra proponha-se a manter fidelidade ao título de "História de Coreaú", diz com a adoção, em edições vindouras, de elementos críticos do processo de formação e de evolução econômica, política e social da nossa terra. Talvez se trate de sugestão despropositada, de quem tomou conhecimento ao menos da história do Brasil unicamente pela leitura de Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda e Celso Furtado. De toda sorte, é sugestão de quem espera o melhor para a sua gente e de quem confia, independentemente de formação acadêmica em História, na inteligência e no talento do genial autor da "História de Coreaú".
Noutro passo, ainda que tardiamente, apresento meus sinceros agradecimentos pelas elogiosas palavras no seu artigo "Letras palmenses", publicado no RM no Foco. Acho sinceramente que minha contribuição para a grandeza das letras coreauenses é praticamente nenhuma, mas, dada a singeleza do "Leruá da Palma", fico deveras agradecido pela generosidade das palavras.
Demais disso, retornando à "História de Coreaú", há no volume que adquiri – e que mantenho em destaque no meu modesto acervo – uma omissão enorme, que me deixa intrigado há longas datas, uma omissão que não diz propriamente com a historia nem com a geografia de Coreaú. Tal omissão, gritante, diz com a ausência do autógrafo do autor da obra – há muito desejado – e quiçá uma breve dedicatória. Tal relevante omissão continua a me inquietar na obra. Mas mantenho a esperança de que ela seja solucionada em breve...
Com nosso respeito e nossa admiração...

Fortaleza, 30 de abril de 2012.

Francisco Eliton A Meneses

P.S.1: Pode, sim, imprimir o texto do Benedito Tonho para o Arquivo Memória de Coreaú, não pela qualidade do poema, mas pela relevância do grande conterrâneo vítima das injustiças sociais.

P.S.2: Não sou Defensor Público em Fortaleza; na verdade, atualmente estou lotado em Aracati. Talvez daqui a um ano retorne à capital.

sábado, 28 de abril de 2012

BENEDITO TONHO




De que vale uma informação, 
 De periódico distante transcrita? 
No cenário histórico de exploração,
 Co' a relevância do mártir não-escrita? 

A história não se escreve com omissão,
Das causas das lutas por mudança.
A história revela o cenário em evolução,
 Ou confronta a reacionária esquivança.

Benedito Tonho é o sonho de liberdade. 
A cobrança dos oprimidos por respeito.
A esperança de um mundo de igualdade.
A bandeira da luta popular por direito.

Salve o Benedito Tonho!
Salve o Benedito Dito!
 Salve todos os Beneditos!
Que lutam por um mundo de sonho!
Salve a Palma e seus verdadeiros mitos!


P.S.1: Benedito Tonho é um coreauense morto na comunidade de Queimadas, Distrito de Ubaúna, Coreaú (CE), por conta de conflito de terras, tendo-se convertido num dos símbolos da luta popular por direitos.
P.S.2: Benedito Dito é como também é conhecido Benedito Gomes Rodrigues, titular da cadeira nº 3 da Academia Palmense de Letras.

A POESIA E A REALIDADE




                   A poesia e a realidade,
                   Num pitoresco confronto, 
                   A frieza poética do bronze,
                   Co' o delírio do ébrio passante.

                   Drummond, o sentimento do mundo;
                  O mendigo, o mundo sem sentimento;
                   Não há saber qual o mais sincero,
                    Se em ambos há igual olhar singelo.
                  

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ANEDOTAS DO QUINTINO



Quintino Cunha (1875-1943), poeta e advogado criminalista, foi uma figura folclórica cearense. Eis algumas de suas anedotas.

DESCONCERTANDO O ADVERSÁRIO

Conta-se que, numa audiência em Fortaleza, um professor de hipnose era acusado de furto.
A certa altura, disse este, em sua defesa:
– Se eu quisesse fugir, poderia fazer todos aqui dormirem!
O advogado Quintino Cunha, que acompanhava a audiência, interveio:
– Não é preciso, deixe isso a cargo do seu advogado!

Noutra feita, corria uma audiência quando o juiz advertiu o causídico, dizendo:
– Doutor Quintino, eu estou montado na lei!
– Pois mal faz Vossa Excelência em montar um animal que não conhece!

LEGÍTIMA DEFESA DA PACIÊNCIA

Certa feita, Quintino foi contratado para defender um bêbado acusado de assassinar um cidadão rico que sempre o insultava na rua.
No tribunal do júri, dirigiu-se ao Juiz da seguinte forma:
– Meritíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito. Meritíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito. Meritíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito. Meritíssimo Senhor Doutor Juiz…
A estas alturas, o juiz, já impaciente, interrompe:
– Um momento, doutor! O senhor vai fazer a sua sustentação oral ou não?
E então o advogado responde:
– Pois então, Excelência… Eu lhe chamei quatro vezes de um título que honrosamente lhe pertence e o senhor me interrompeu, visivelmente irritado… Imagine se eu passasse todos os dias em sua frente, durante vários anos, e lhe chamasse de "Cara de tabaco"… O senhor não me daria um tiro?

TRAPAÇA NO JÚRI

Certa vez, no tribunal do júri, Quintino levou até o promotor à comoção ao dizer que o acusado era arrimo de família e cuidava sozinho de sua mãezinha cega de mais de oitenta anos:
– Não olhem para o crime deste infeliz! Orem pela sua pobre mãe, velhinha, doente, alquebrada pelos anos e pela tristeza, implorando a misericórdia dos homens, genuflexa diante da justiça, se desfazendo em lágrimas, pedindo liberdade para o seu filho querido!
O réu foi inocentado. Na saída do tribunal, um dos presentes, sensibilizado, aproximou-se do causídico:
– Doutor Quintino, quero fazer uma visita à mãe daquele infeliz, pois quero ajudá-la!
– Ora! Eu sei lá se esse filho de uma égua algum dia teve mãe!

(Adaptado do livro "Anedotas do Quintino", de Plautus Cunha)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

DON QUIJOTE DE LA MANCHA



"Así, ¡oh Sancho!, que nuestras obras no han de salir del límite que nos tiene puesto la religión cristiana, que profesamos. Hemos de matar en los gigantes a la soberbia; a la envidia, en la generosidad y buen pecho; a la ira, en el reposado continente y quietud del ánimo; a la gula y al sueño, en el poco comer que comemos y en el mucho velar que velamos; a la lujuria y lascivia, en la lealtad que guardamos a las que hemos hecho señoras de nuestros pensamientos; a la pereza, con andar por todas las partes del mundo, buscando las ocasiones que nos puedan hacer y hagan, sobre cristianos, famosos caballeros." (Don Quijote de La Mancha) 


"Sonhar mais um sonho impossível.
Lutar, quando é fácil ceder.
Vencer o inimigo invisível.
Negar, quando a regra é vender."
Chico Buarque


Don Quijote de La Mancha, do espanhol Miguel de Cervantes, foi eleito em 2002 o melhor livro da lireratura de todos os tempos, numa pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Nobel da Noruega com os mais renomados escritores da atualidade.
Tive o enorme prazer de ler o Dom Quixote no original, com os naturais percalços da "hermana" língua castelhana. Em verdade, reputo o Dom Quixote minha maior façanha no universo da leitura, nem mesmo superável pelo apreciar paulatino, que sigo claudicante, da Divina Commedia, no dialeto de Dante.
O Dom Quixote é um grande clássico da humanidade, merecidamente eleito o maior de todos os tempos; uma leitura obrigatória que influenciou escritores como Dostoievski, Shakespeare, Walter Scott, Charles Dickens, Gustave Flaubert, James Joyce, Jorge Luiz Borges, Machado de Assis, Lima Barreto... Enfim, quase tudo de bom que lhe sucedeu.
As andanças do engenhoso cavalheiro idealista, defensor dos fracos e oprimidos, acompanhado do seu fiel escudeiro, parvo e realista, Sancho Pança, são uma das minhas grandes influências, uma eterna inspiração, na arte e na vida. 

Francisco Eliton Meneses

segunda-feira, 23 de abril de 2012

DEFENSORES PÚBLICOS - ESTADO DE GREVE


Defensores públicos do Ceará entram em estado de greve a partir de maio

domingo, 22 de abril de 2012

O LERUÁ DA PALMA



Já não temos quase nada,
Tradição quase nenhuma,
Salvo réstia de passado,
Relegada e moribunda.
Ainda recordo do tempo,
Manhã turva de outrora,
Ao romper d'aurora gris, 
De certa Páscoa canora.
Cedo que havia desperto,
Co' inocência inda pueril. 
Indaguei curioso da horda,
Que cruzara a tarde febril.
No sereno da velha Palma,
Em meio à missa da Matriz,  
A horda cruzara altaneira,
Co' irresistível força motriz.
Recolhida na manhã do dia,
A verba da inseparável cana,
Partia reluzente de alegria,
Da Palma a luzidia caravana.
Em busca do pau do Judas
Seguia meio-dia ao serrote,
Avultando ao final da missa,
Sem nada a deter-lhe o trote.
Ao chegar deitavam a planta,
O "Judas" de cima desciam,
Aos poucos surgiam as rodas,
As toras de pau se erguiam.
Minha mãe então me disse:
"Meu filho, tu viste o Leruá.
Uma tradição popular primeva,
Das poucas que temos no lugar.
Nos meus tempos de menina,
Já me embalava o entoar:
'Sá Chiquinha, Sá Chiquinha,
Se a cachorra lhe mordeu,
Como eu gostava dela,
A dentada não doeu,
E tora, tora, Leruá!
Vamos torar! Leruá!
Pancada dura, Leruá!
De marruá! Leruá!
Levanta o pau, Leruá!
E vamos lá! Leruá!
Vicente Chico, Leruá!
É o campeão! Leruá!
O eterno rei, Leruá!
Da tradição! Leruá!
Salve o Cachica! Leruá!
Não morre não, Leruá!
O que nos toca, Leruá!
O coração! Leruá!'
(...)"

Fco Eliton Meneses

sábado, 21 de abril de 2012

PARA O AMIGO POETA GILMAR PAIVA - DEFENSOR DOS HUMILHADOS E OFENDIDOS



PARA O PRESIDENTE DA ACADEMIA PALMENSE DE LETRAS - UMA JOIA DA HUMANIDADE




Giuseppe Verdi - Nabucco - Va, pensiero
Nabucco è la terza opera (il titolo originale è Nabucodonosor) di Giuseppe Verdi e quella che ne decretò il successo.
Va, pensiero (Va, pensiero, sull'ali dorate) è uno dei cori più noti della storia dell'opera, collocato nella parte terza del Nabucco di Giuseppe Verdi (1842), dove viene cantato dagli Ebrei prigionieri in Babilonia. 

Tradução

Vá, pensamento, sobre as asas douradas.
Vá, e pousa sobre as encostas e as colinas.
Onde os ares são tépidos e macios.
Com a doce fragrância do solo natal!
Saúda as margens do Jordão
E as torres abatidas do Sião.
Oh, minha pátria tão bela e perdida!
Oh lembrança tão cara e fatal!
Harpa dourada de desígnios fatídicos, 
Porque choras a ausência da terra querida?
Reacende a memória no nosso peito, 
Fale-nos do tempo que passou!
Lembra-nos o destino de Jerusalém.
Traga-nos um ar de lamentação triste,
Ou o que o Senhor te inspire harmonias
Que nos infundam a força para suportar o sofrimento.

"Não existe nada mais subversivo do que um subdesenvolvido erudito." Geraldo Vandré

P.S.: Para quem porventura não saiba, o presidente da Academia Palmense de Letras é o escriba-mor coreauense Manuel de Jesus, co-fundador e titular da cadeira nº 1 da APL. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

SALVE O DIA DO ÍNDIO



Cai o sol na terra de Makunaima 
boa vista no céu, lua cheia de mel
sobe a serra de Pacaraima 
eu sou de Roraima 
surubim, tucunaré, piramutaba 
sou pedra pintada, buriti, bacaba 
Caracaranã, farinha d'água, tucumã 
curumim te espera cunhantã 
um boto cantando no rio 
beijo de caboclo no cio 
parixara na roda de abril, se abriu 
linha fina no meu jandiá 
carne seca, xibé, aluá 
jiquitaia, caxiri, taperebá... 
(Zeca Preto/Neuber Uchôa)

* Minha homenagem, carregada de saudade, especialmente aos índios de Roraima, terra que me acolheu carinhosamente por dois anos e meio inesquecíveis! De quem tive a honra de receber - como prova de amizade - um espelho para ver melhor o mundo!

domingo, 15 de abril de 2012

O ÚLTIMO JUDEU DE VINNITSA



Quando o ódio insano vira um norte tempestuoso,
A semente do mal viceja a insensibilidade humana.
Quando a megalomania encontra adepto fervoroso,
A ignorância prolifera a pérfida insensatez tirana. 

Se o aplauso em volta açula o demente impetuoso,
 A besta enterra a inocência aflita co'a frieza leviana. 
Se a nuvem negra varre a superfície do solo sinuoso,
A semente do bem se rebela contra a farsa mundana.

A luz resseca a soberba do covarde presunçoso, 
A treva faz-se o desterro da ignomínia profana,
Quando renasce imponente o sentimento virtuoso. 

A austeridade judia é gêmea da liberdade cigana. 
O jugo do semelhante um viés maníaco defeituoso. 
Aos humilhados e ofendidos a igualdade soberana.

Eliton Meneses