sexta-feira, 30 de novembro de 2018
QUOTES
"Un roman est un miroir qui se promène sur une grande route." (Stendhal, Le rouge et le noir)
"E quando o amor é mais intenso, não necessitam nem sussurrar, apenas se olham, e basta, seus corações se entendem..." (Gandhi)
"Estoy acostumbrado a luchar contra gigantes. Jamás los he derrotado, pero nunca sucumbí."
"No próximo instante da eternidade, não estaremos mais aqui, nem você nem eu!"
"O que seria desse céu enorme sem esse ser minúsculo que o contempla deslumbrado?"
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Sonho
A trupe desfila num palco medonho
Seus trajes grotescos, clarins e bandeiras,
Vistosos tecidos, comprados nas feiras,
Em filas compridas de canto enfadonho.
Talvez fosse mero produto dum sonho,
Quem sabe verdade, melhor nem pensar;
Aplausos havia, mas sem despertar
O riso na cara de quem aplaudia;
O povo debaixo era quem mais sofria,
Em cima verdugos suspensos no ar.
A peça era nova, seu grupo bisonho,
Comédia ou tragédia, pudicas rameiras;
Roteiro não tinha, nem eiras nem beiras,
Aos olhos silentes dum mestre tristonho;
Abutres sedentos, um bispo risonho;
Tamanha incerteza que teima em chegar,
Largada na festa sem saber dançar;
As nuvens pesadas no ocaso do dia
Fizeram que a gente, em meio à agonia,
Sonhasse com a fuga na beira do mar.
Eliton Meneses
sábado, 24 de novembro de 2018
FIM DA HISTÓRIA
"Platão argumentava que embora thymos fosse a base das virtudes, por si só não era bom nem mau, mas precisava ser treinado para servir ao bem comum. Em outras palavras, thymos deveria ser governado pela razão, e transformado num aliado do desejo. A cidade justa seria aquela em que as três partes da alma estivessem satisfeitas e equilibradas sob a direção da razão. O melhor regime era extremamente difícil de ser alcançado porque devia satisfazer todo o homem simultaneamente, sua razão, seu desejo e seu thymos. Porém, mesmo que não fosse possível aos regimes reais satisfazer completamente o homem, o melhor regime constituiria o padrão pelo qual podiam ser medidos todos os regimes existentes. Seria melhor o regime que satisfizesse melhor as três partes da alma simultaneamente." (Francis Fukuyama. O fim da história e o último homem. Ed. Rocco. Rio de Janeiro. 1992. p. 404).
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Soneto LXIII
Entraste por um beco sem saída,
Calçado num chinelo muito gasto;
De dia, te sentias herói basto;
De noite, simples besta decaída.
Contavas não sofrer a recaída;
Querias percorrer caminho vasto;
Amigos? Tão somente um velho casto;
Nas contas, tanta coisa destruída.
Procuravas sentir felicidade
Em matérias fugazes, ofuscado;
Apostavas ser claro o tempo escuro.
Afastado decerto da verdade,
Não sentiras nas portas do mercado
A fragrância das flores de Epicuro.
Eliton Meneses
domingo, 18 de novembro de 2018
Filosofia x Materialismo
"Na Grécia Antiga, existia uma cidade na qual, em todas as paredes do mercado, se havia escrito toda a filosofia da felicidade de Epicuro, procurando conscientizar as pessoas de que comprar e possuir bens materiais não as tornariam mais felizes, como elas então acreditavam." (Wikipédia)
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
HINO
Também sou do tempo em que se cantava o hino nacional na escola, mas não nutro nenhum saudosismo dessa pouco espontânea manifestação de patriotismo. Recordo que na Escola de 1.º Grau Vilebaldo Aguiar, em Coreaú/CE, era o momento mais entediante. As aulas normalmente atrasavam pela dificuldade de se formarem as filas. Em meio à balbúrdia, sempre havia aquele retardatário que furava a fila para ficar mais à frente, aquele que ficava empurrando os outros, aquele que não continha a flatulência... Quando se conseguia finalmente organizar a fila, começava-se a cantar o hino com um desinteresse tão medonho e ainda com os atropelos mais hediondos da letra e da melodia que dava era desgosto... Uma passagem me atraía especialmente a atenção: "Ao som do mar (...) do céu profundo." Juro que entendia, quase colando o ouvido na boca do colega da frente, de trás e do lado, "Ao som do mar(aújo) o céu profundo." Ficava intrigado porque a coisa não continha qualquer nexo com nada que fosse compreensível. Maraújo? A única coisa a que me reportava Maraújo era a cidade de Moraújo, vizinha a Coreaú, mas tão inexpressiva geográfica e historicamente que achei pouco provável que fizesse jus a ter o nome no hino nacional e, caso tivesse, eu pensava, por que o hino não fazia menção também a Coreaú? Afinal, eram cidades arquirrivais e ultimamente Coreaú era até mais próspera...
Um dia cheguei em Cezinha, apontado como o melhor aluno do 7.º ano, e procurei tirar a dúvida:
– Cezinha, aquela parte do hino que diz assim: "Ao som do mar(aújo) o céu profundo..." é mar(aújo) mesmo, né?
Cezinha deu uma gargalha e respondeu com bastante convicção:
– Mar(aújo), não, bicho burro! O certo é Moraújo!
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
THYMOS
"O desejo de reconhecimento é também a sede psicológica de dois sentimentos extremamente poderosos: a religião e o nacionalismo. Com isso não quero dizer que religião e nacionalismo podem ser reduzidos ao desejo de reconhecimento, mas que o fato de terem suas raízes em thymos é o que lhes comunica sua grande força. O crente religioso atribui dignidade a tudo que a religião considera sagrado – um conjunto de leis morais, um modo de vida, ou objetos especiais de adoração. Enfurece-se quando é violada a dignidade daquilo que considera sagrado. O nacionalismo acredita na dignidade do seu grupo nacional ou étnico, e portanto em sua própria dignidade qua membro desse grupo. Procura fazem com que essa dignidade seja reconhecida pelos outros e, como o crente religioso, enfurece-se quando ela é ofendida ou menosprezada. Foi uma emoção timótica, o desejo por parte do senhor aristocrata, que deu origem ao processo histórico e foi a emoção timótica do fanatismo religioso e do nacionalismo que impulsionou esse processo, por meio de guerras e conflitos, através dos séculos. As origens timóticas da religião e do nacionalismo explicam por que os conflitos sobre 'valores' são potencialmente muito mais mortais do que os conflitos sobre bens ou riquezas materiais. Ao contrário do dinheiro, que pode simplesmente ser dividido, a dignidade é algo intrinsecamente intransigível: ou você reconhece a minha dignidade, ou a dignidade do que é sagrado para mim, ou não reconhece. Só o thymos, à procura da 'justiça', é capaz de verdadeiro fanatismo, obsessão e ódio."
(Francis Fukuyama. O fim da história e o último homem. Ed. Rocco. Rio de Janeiro. 1992. pgs. 262/263).
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Soneto LXII
Quantas vezes deixamos fenecer
As flores que achamos no caminho;
Pensamos desvendar o pergaminho,
Depois de indecorosos nos perder.
Sonhamos com o sol do amanhecer,
Ainda quando o sono foi mesquinho;
Um se vai e o outro, tão sozinho,
Repara todo o quadro emudecer.
Pressentimos o fim do labirinto,
Quando os raios furtivos da aurora
Aquecem a inesperada solidão.
Às vezes nos guiamos por instinto,
Incautos nos lançamos mundo afora,
Ferindo sem querer um coração...
Eliton Meneses
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
domingo, 28 de outubro de 2018
EXPECTATIVA DO 2.º TURNO
Para um país que lê muito pouco, uma parcela considerável da população votar com um livro na mão já é uma vitória desse 2.º turno!
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Pensei que fosse apenas força de expressão quando os eleitores do Bolsonaro dizem: Fora PT!
Mas, não, eles realmente acreditam que o PT continua no poder, mesmo sendo o PT oposição ao Governo Temer e o PSL do Bolsonaro da base de apoio do Governo, tendo votado a favor de tudo que o Temer envia!
É um caso mesmo de paranoia coletiva...
***
Joaquim Barbosa (STF) e Rodrigo Janot (PGR), protagonistas da cruzada anti-corrupção, votam em Haddad! Por que será que os antipetistas não votam...?
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"Me alivia saber que ninguém que admiro intelectualmente votará em Bolsonaro." (autor desconhecido)
***
Bella Ciao! Hino da resistência antifascista!
"Uma manhã, eu acordei
Querida, adeus! Querida, adeus! (...)
Uma manhã, eu acordei
E encontrei um invasor..."
"Uma manhã, eu acordei
Querida, adeus! Querida, adeus! (...)
Uma manhã, eu acordei
E encontrei um invasor..."
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
CIVILIZAÇÃO x BARBÁRIE
Acompanhei todas as eleições presidenciais desde a redemocratização. Em
nenhuma delas o eleitorado foi tão bizarro, para dizer o mínimo, quanto o
do Bolsonaro. O eleitorado do Collor, apesar de tudo, em nenhum momento
fugiu da razoabilidade ou descambou para o fanatismo inconsequente. Em
todas elas, o candidato que falasse alguma impropriedade sofria
automaticamente uma queda na intenção de votos. Essa é a primeira em que
um candidato, quanto mais absurdos fala, mais aumenta a sua chance de
ganhar a eleição. Se isso é o novo, sinceramente, prefiro ficar com o
velho...
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Assim como Trump não é cria do Obama, Bolsonaro não é cria do PT; Bolsonaro é cria do nosso tempo cheio de tanto ódio...
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Pelo que prega e pelo que faz, acho estranho que um anti-humano como o Bolsonaro não esteja preso;
Pelo que prega e pelo que faz, acho espantoso um sujeito desse estar há 28 anos se reelegendo como deputado federal para não fazer outra coisa que não disseminar o ódio;
Pelo que prega e pelo que faz, ainda acho inacreditável que um sujeito desse tenha a pretensão de se lançar candidato a Presidente da República;
Pelo que prega e pelo que faz, causa-me perplexidade um sujeito desse ter tirado mais de 46% dos votos válidos do primeiro turno, tendo os eleitores outras 12 opções de voto;
Mas, pelo que prega e pelo que faz, considero o cúmulo do absurdo (não tenho mesmo vocação para naturalizar o mal) um sujeito desse estar na iminência de se tornar Presidente da República, com o voto da maioria dos brasileiros...
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
CURTAS
Há mil e uma razões para eu não votar em Bolsonaro. Cada uma suficiente per se para eu não votar nele. Uma delas é a homenagem que ele fez, no dia da votação do impeachment, ao maior torturador da ditadura militar, Carlos Alberto Brilhante Ustra. Quem faz apologia à tortura não tem meu voto, em nenhuma circunstância.
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– Por que o PT ainda tem tanto voto, mesmo depois de tanto desgaste?
– Porque o PT, ao menos num aspecto, nos dá uma garantia: o PT não vota contra o trabalhador...
– Porque o PT, ao menos num aspecto, nos dá uma garantia: o PT não vota contra o trabalhador...
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Na eleição de 1989, vovó Ritinha já dizia que Lula ia implantar a ditadura comunista no país. Se em 2018 ainda tem eleitor com esse papo furado, fica difícil culpar os políticos pelos problemas do Brasil...
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Saiam do delírio! Todos os Presidentes eleitos da Nova República, de Collor a Dilma, participaram de debate de 2.° turno. Quem foge ao debate mostra quem é: anti-democrático, arrogante e mal-intencionado.
Esperando os Bolsominions protestarem contra o Caixa 2...
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Esperando os Bolsominions protestarem contra o Caixa 2...
domingo, 14 de outubro de 2018
ANTI-CANDIDATO
A
maior dificuldade de ataque ao Bolsonaro é que ele não é um candidato;
ele é um anti-candidato. Nessa condição, ele tem uma certa imunidade.
Qualquer problema que se revele a seu respeito (vida parlamentar
inexpressiva, discurso de intolerância, desempenho pífio em debate,
etc.), que seria naturalmente considerado pelo eleitor em relação a
qualquer outro candidato, parece não afetá-lo.
Collor em 1989 suou a camisa para ganhar do Lula. Alguns atribuem a sua vitória (apertada) ao desempenho no último debate na Globo...
Mas o que fazer diante de um anti-candidato? O que fazer diante de um candidato que, por pior que fosse o seu desempenho num debate, possivelmente mais expressiva seria sua votação? O que fazer diante da tendência, motivada pelo ódio, do quanto pior melhor? O que fazer diante da naturalização do absurdo? O que fazer diante da aparente ânsia de se agarrar numa alternativa qualquer por uma exaustão da experiência da alternativa anterior oposta?
Ninguém ainda achou a resposta, sobretudo porque o anti-candidato veio a reboque de novidades – como as fake news – contra as quais o sistema ainda não tem defesa, e só tem mais 15 (quinze) dias para encontrá-la...
O tempo é curto, mas a dialética, de Heráclito a Hegel, traz sempre como resposta o tempo. Afinal, ora se caminha mais à direita, ora se caminha mais à esquerda, numa alternância que ocorre no tempo, às vezes um tempo longo, às vezes um tempo breve. Dia 28 de outubro, saberemos dimensionar o tempo...
Collor em 1989 suou a camisa para ganhar do Lula. Alguns atribuem a sua vitória (apertada) ao desempenho no último debate na Globo...
Mas o que fazer diante de um anti-candidato? O que fazer diante de um candidato que, por pior que fosse o seu desempenho num debate, possivelmente mais expressiva seria sua votação? O que fazer diante da tendência, motivada pelo ódio, do quanto pior melhor? O que fazer diante da naturalização do absurdo? O que fazer diante da aparente ânsia de se agarrar numa alternativa qualquer por uma exaustão da experiência da alternativa anterior oposta?
Ninguém ainda achou a resposta, sobretudo porque o anti-candidato veio a reboque de novidades – como as fake news – contra as quais o sistema ainda não tem defesa, e só tem mais 15 (quinze) dias para encontrá-la...
O tempo é curto, mas a dialética, de Heráclito a Hegel, traz sempre como resposta o tempo. Afinal, ora se caminha mais à direita, ora se caminha mais à esquerda, numa alternância que ocorre no tempo, às vezes um tempo longo, às vezes um tempo breve. Dia 28 de outubro, saberemos dimensionar o tempo...
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