quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"DEUS MIHI DIXIT!" FRANCESCO



Francisco de Assis, levado à loucura por amor, clama a Deus por uma resposta. Deus responde com o maior sinal que poderia ser dado, o que representa a conformação perfeita a Cristo, os estigmas: cada uma das cinco chagas que aparecem no corpo de Cristo, nos mesmos pontos - pés, punhos e tórax - perfurados  pela crucificação.  
Salve, ó Francesco! Ó, "luce che illuminava il mondo!" Dante 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A VIDA: COMEÇOS E RECOMEÇOS


Já falei de esperança
Nessa vida que começa
Repensando, refletindo
Chegaremos à promessa
De chegar a um ano bom
Isso bem nos interessa!

Interessa o recomeço
Desta luta desigual
Que nem sempre recompensa
E não vejo nisso um mal
Afinal nem sempre é
Tudo bom, nem tudo igual!

Se igual, se tudo fosse
Não teria a menor graça
Nem sempre pro melhor pão
Só se tem a melhor massa
Nossa vida sempre é
Uma soma do que passa.

Passa fato, passa caso
Só que sempre algo fica
O que fica sempre é
Nossa história de conquista
Sempre acredite em você
E nessa vida benquista!

João Teles de Aguiar
Membro da APL

A PROLE DO MATUTO


Nos idos dos anos 70, o juiz recém-nomeado da Comarca de Coreaú realizava uma de suas primeiras audiências, num processo de aposentadoria rural, tendo a interrogar um cidadão calejado pela árdua lida do campo, morador da bucólica localidade da Raposa.
Corria normalmente a audiência, procedendo-se à qualificação do autor, com nome, estado civil, profissão, endereço, até que o juiz resolver perguntar quantos filhos o cidadão possuía. 
- Dez filhos, doutor! 
- Nossa! Mas como sua prole é grande! Disse surpreso o juiz.
Ao que o inocente agricultor respondeu:
- É, sim, doutor! E só entre nós: e GROSSA!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ORDEM DOS SOBRENOMES DOS PAIS


A Lei nº 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) não estabelece a ordem da disposição dos sobrenomes dos pais na composição do nome dos filhos. Até o advento da Lei nº 6.515/77 (Lei do Divórcio), havia a tradição de o sobrenome do pai preceder ao sobrenome da mãe; a partir de então, a ordem foi invertida: primeiro o sobrenome da mãe, depois o sobrenome do pai. 
No entanto, especialmente depois da Constituição Federal de 1988, que consagrou a igualdade entre homens e mulheres, vem sendo consolidada a orientação doutrinária e jurisprudencial contrária ao costume, assegurando aos pais a liberdade de opção pela ordem do sobrenome que melhor lhes aprouver (TJRS, 8ª Câmara Cível, AC 70004782199, rel. Des. Rui Portanova, j. 28.11.2002). 
Lamentavelmente, alguns cartórios de registro civil, reféns da tradição preconceituosa, ainda relutam em prestigiar a liberdade de opção assegurada constitucionalmente, exigindo, na composição do nome do filho, que o sobrenome da mãe anteceda o sobrenome do pai, o que pode ser corrigido com a propositura da ação de retificação de registro civil (TJMG, 5ª Câmara Cível, AC 000.031.167-3/00, rel. Des. Maria Elza, DJMG 13.06.2003). 
Como os percalços de uma ação judicial soem dissuadir as pessoas de exercer a liberdade de opção pela ordem dos sobrenomes dos filhos, as Corregedorias dos Tribunais de Justiça de cada Estado deveriam editar provimentos recomendando os cartórios de registro civil a respeitar a liberdade dos pais, assegurando a igualdade constitucional e inclusive prevenindo algumas demandas absolutamente despiciendas.  

sábado, 29 de setembro de 2012

ANEDOTA PALMENSE


Com a curiosidade de menino maluvido, na Palma do final dos anos 80 e começo dos anos 90, escutei muita história interessante. Numa época de intensa reforma da rodovia que cruza a cidade, a empresa de asfaltamento se instalava, com todo o maquinário e pessoal, na margem da pista oposta ao matadouro público.
Os muitos trabalhadores da firma acabavam vivendo em Coreaú, incorporando-se ao seu cotidiano. Um dos mais marcantes, sujeito magricela de altura e idade mediana, metido a boêmio romântico, costumava beber no bar da esquina com meu pai, para contar e ouvir algumas anedotas. Sentado atento num velho banco de madeira, eu escutava por horas a prosa autobiográfica de duas vidas repletas de experiências.
Zé Mazim contou que, certa feita, naquele mesmo bar, havia sido de tal forma afrontado por um moço impertinente das bandas do Alto que teve que partir para as vias de fato, manchando sua reputação de homem pacífico e equilibrado.
O sujeito havia destratado os camaradas da firma, chamando-os de vagabundos, raparigueiros e forasteiros desonestos. Zé Mazim ainda tentou ser diplomático, pedindo calma e oferecendo uma dose de cana ao detrator. Não adiantou. O sujeito, embriagado, mas ainda com ares de empáfia, continuou o ataque verbal. Até que Zé Mazim não se conteve e partiu para tomar satisfação.
Ao primeiro arroubo de Zé Mazim, o sujeito foi logo tentando encabular:
- Você sabe com quem está falando?
Ao que Zé Mazim respondeu:
- Sei! Com um fuleragem!
E cobriu-lhe de socos e pontapés, sangrando-lhe o nariz e o canto da boca.
Logo em seguida apareceu a turma do deixa disso e apartou a briga, tomando cada um dos lutadores o seu caminho. Ao despedir-se, o derrotado ainda lançou uma sombria advertência:
- Pode-se preparar para dormir na cadeia, cabra safado!
Zé Mazim seguiu taciturno até a Rua do Peão, onde morava, preocupado com a perspectiva de ser preso ainda naquela noite que já começava a cair.
Deitou-se na rede, permanentemente armada, atinando em cada voz e em cada passo que percorria sua rua deserta. Chegara há pouco na cidade. Não conhecia praticamente ninguém. O moço que acabara de enfrentar poderia pertencer a alguma família importante, poderia ter alguma influência política. Era provável que a polícia logo o viesse recolher.
Nunca havia sido preso. Tinha um certo trauma de polícia, desde a adolescência marcada pelo auge da ditadura militar.
Conseguiu dormir um sono leve e atribulado, acordando a cada passo repentino na calçada, a cada cochicho que se achegava a sua porta. Olhou ainda umas três vezes pela fresta da porta e somente viu uma rua vazia. Depois o cansaço o pegou.
Aos primeiros raios do dia, Zé Mazim tomou o café, preparado pela vizinha Marlene, aprontou-se e seguiu, ainda com uma leve ressaca, para a firma, pedalando, com um suor frio, a velha bicicleta.
Ficou contente por não ouvir qualquer comentário dos camaradas sobre o incidente do dia anterior. Seguiu o trabalho confiante e já sorridente, até que uma visão sinistra o paralisou!
Na entrada da firma, já se identificando, dois guardas enormes estavam vindo prendê-lo. Não hesitou. Pulou rápido do caminhão que acabava de descarregar e embrenhou-se pela mata que cobre o serrote vizinho, subindo até a uma altura que imaginou livre de uma possível perseguição.
Na firma, os camaradas deram logo pela falta do Zé. Ninguém o tinha visto sair. Ainda fizeram uma busca no entorno, na rua, comunicaram o sumiço à polícia, mas, algumas horas depois, seguiram contrariados a dura rotina de trabalho.
No serrote, bebendo os pingos que desciam de um olho d'água e sem nada para comer, Zé Mazim ainda suportou um dia e uma noite na mata, sentado numa pedra e dormindo numa cama improvisada de galhos. Imaginando ter livrado o flagrante, resolveu reaparecer.
Na manhã seguinte, apresentou-se reticente na firma, perguntando apressado para a primeira turma que avistou por onde andava a polícia que o tinha ido prender no dia anterior.
Os camaradas o saudaram com efusão, estranhando a história de polícia e de prisão, tendo um deles respondido:
- Que polícia? Não andou polícia nenhuma por aqui! Ontem, antes do seu sumiço, só vieram aqui dois guardinhas da SUCAM para dedetizar o depósito de material!
Só então os camaradas compreenderam, às gargalhadas, a razão do sumiço do Zé! 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

UMA CRÔNICA AO CRONISTA



Confesso, logo de início, que desde pequeno sempre me considerei diferente do restante das pessoas ao meu redor porque os meus hábitos realmente eram pouco comuns. Depois que a gente cresce, conversa, diversifica e, conhecendo ainda mais pessoas, percebe que não é o único a ser "tão diferente assim".
Confesso que, naquela época, enquanto muita gente gostava basicamente de música e artistas e festas e coisa e tal, eu gostava muito de notícia! Principalmente o noticiário esportivo! Tanto assim que, recentemente, um certo "companheiro de trabalho" resolveu me batizar de "enciclopédia do futebol cearense"! Nem sei se tanto sei, mas hoje eu bem sei que esse "saber que sei" um dia corre o risco de virar folclore!
De fato, eu tinha uma certa afixação por jornal! Conhecia, desde pequeno, emissoras de rádio-jornalismo do eixo Rio-São Paulo, como a CBN, a Jovem Pan AM, Rádio Bandeirantes. Era comum eu sair para o colégio ouvindo o "Jornal da Manhã" da Rádio Jovem Pan/SP, durante tanto tempo retransmitido pela "Rádio O Povo".
Quem me conhece de hoje talvez não estabeleça tal conexão porque, algumas vezes, ando mais conhecido pelas músicas de que gosto do que por estar "antenado" demais, com outras coisas.
Mas tudo tem um certo sentido... Ainda entre o final dos anos 90 e o início dos anos 2000 , meu pai fez a assinatura anual e diária do Jornal O POVO. E ali eu começava a ler o caderno de Esporte até o de Política, Cidade e até Economia... Se existia um "caderno dispensável", era aquele de cultura, o tal Vida & Arte! Nas poucas vezes em que o li, buscava simplesmente a coluna "política-humorística" de José Simão. Contudo, nessas idas esporádicas àquele caderno, me coloquei a ler, nem lembro porque, uma crônica dele... Airton  Monte!
Seria passar por ridículo dizer que lembro o conteúdo, as palavras, o que ele escreveu! Seria tão absurdo que não dá nem pra dizer que é mentira!
Mas, em verdade, tempos depois, me vi indo ao Vida & Arte toda semana para me divertir com as palavras, os trocadilhos, o jeito fácil, os fatos sociais e as "coisas da vida" transformadas em poemas do cotidiano!
Tempos depois, quando os deveres chamavam e o tempo para leitura do jornal diminuiu, me via a ler somente o Esporte, a Política e o... Airton Monte! Quando as provas chegavam e o tempo apertava, então "folheava" o Esporte, a Política e lia o Airton Monte! Por fim, quando pelo vestibular nem tempo tinha, eu simplesmente lia... o Airton Monte!
Sentimento Abrupto? Sinceramente, não sei! Mas, às vezes, é "...besteira querer explicar a vida e as paixões que nos tomam de assalto. Simplesmente, elas acontecem."
E foi mais ou menos assim que o jornal me deixou de ser um mero "retransmissor de notícias"! E que o conhecimento deixou de ser somente aquele "politicamente correto"!
De verdade, a crônica de Airton era cotidiana, sem deixar de exercer uma crítica-política. Era boêmia, sem deixar de ser séria! Era poética, apesar de encerrar inúmeros gols do Fortaleza - tudo num gostoso "trocadilho alvinegro", se me permitem! Às vezes, sua crônica era até "viril", mas nunca sem deixar de cortejar sua "bem amada", afinal.... "me digam, meus senhores do conselho, haverá coisa mais sem graça e sem beleza e sem poesia do que um mundo sem mulher? Nele não desejo viver nem passar perto, decerto."
Êita que falando assim mais parece que eu era amigo pessoal e sempre contínuo de Airton Monte... Mentira! E Tresloucada! Juro que não o conheci pessoalmente! E houve tempo que o deixei de ler, tempo que voltei, enfim. A verdade nisso é que sempre "resta ao escritor, quando dá de cara com um bom filão, explorá-lo até as últimas consequências enquanto render, frutificar. Todo o resto é conversa fiada pra boi insone dormir." – Eu só não imaginei que o meu filão, um dia, seria você, caro cronista!
Por fim, a notícia de seu falecimento me remeteu a uma dúvida assaz curiosa: Até onde nós perdemos um "amigo antigo" que nem conhecíamos? Será possível ter um amigo que sequer conhecemos?
Quem lia Airton Monte sabe, como ninguém, que é "Inútil buscar respostas, pois não há respostas. O encontro é o grande fim da humana jornada!"
Vá em paz, amigo!

Raphael Esmeraldo Nogueira
Cronista

DIA D DA GREVE: PALÁCIO DA ABOLIÇÃO

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

ALTERAÇÕES DO NOME CIVIL


O nome é um atributo da personalidade que retrata tanto a identidade subjetiva quanto a identidade social da pessoa, sendo formado pelo prenome (nome próprio) e pelo sobrenome (origem familiar). Por questão de segurança das relações sociais, vige o princípio da imutabilidade do nome; no entanto, dito princípio comporta algumas exceções. Uma delas diz com a possibilidade de a pessoa alterar o seu nome no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil, desde que preservados os apelidos de família (sobrenome) (art. 56, Lei nº 6.015/73). Assim, entre os 18 e os 19 anos, a pessoa pode-se dirigir ao Cartório em que está registrada para pedir a alteração do seu nome, tendo em conta não ter participado da sua escolha inicial. Uma outra exceção à imutabilidade permite que se altere o nome que exponha a pessoa a situações vexatórias, ridículas e humilhantes (art. 55, parágrafo único, Lei nº 6.015/73). Nesse caso, a alteração poderá ser requerida a qualquer tempo, perante a Vara de Registros Públicos. É possível, ainda, a substituição do prenome por apelido público notório (art. 58, Lei nº 6.015/73), podendo-se simplesmente acrescentar o apelido, sem alterar os outros elementos do nome. São os casos famosos de Lula, Xuxa e Pelé. A substituição do prenome será admitida também em razão de fundada coação ou ameaça decorrente da colaboração com a apuração de crime (art. 58, parágrafo único, Lei nº 6.015/73), no caso das pessoas incluídas no programa especial de proteção às vítimas e testemunhas. Admite-se ainda a alteração do prenome, na Vara de Família, quando não houver correspondência entre o sexo anatômico e o psicológico da pessoa, mesmo antes de eventual cirurgia de mudança de sexo. Altera-se o nome também com o casamento (art. 1.565, § 1.º Código Civil) e com a união estável (art. 57, § 2.º, Lei 6.015/73), podendo qualquer dos noivos ou conviventes acrescer ao seu o sobrenome do outro, que poderá ser ulteriormente suprimido com o divórcio (art. 1.578, § 1.º, Código Civil), com a dissolução da união estável (art. 57, § 5.º, Lei 6.015/73) e com a viuvez (STJ, REsp 363.794/DF, DJU 27.06.2002). Na adoção, deve ser incluído no nome do adotado o sobrenome do adotante, podendo haver alteração do prenome se ambas as partes desejarem, salvo na adoção de maior de idade, que admite somente a alteração do sobrenome (art. 1.627 e art. 47, § 5.º, Lei 8.069/90). A alteração do nome também é possível no reconhecimento ulterior de paternidade ou maternidade, para a inclusão do sobrenome do pai ou da mãe (art. 102, 4.º, Lei 6.015/73) e na hipótese de erro gráfico evidente, cujo processamento poderá ser no próprio Cartório (art. 110, Lei 6.015/73). Nos nomes próprios de origem estrangeira, é possível optar-se, a qualquer tempo, pela forma aportuguesada ou pela sua versão original (art. 43, Lei 6.815/90), podendo, por fim, haver alteração, em que pese alguma relutância da jurisprudência, na hipótese de homônimos abundantes que causem embaraços sérios na vida civil da pessoa (vide, contra: REsp 647.296/MT, DJU 16.05.2005, p. 348). 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O DIA DO RÁDIO, A NOSTALGIA E O AMOR À PÁTRIA



Era mais um dia que parecia normal quando me deparo ouvindo Nonato Albuquerque e o Grande Jornal da Rádio O Povo/CBN.
Falava, então, o comunicador natural de Acopiara, no interior cearense, que estávamos vivenciando o "Dia do Rádio"!
Nem é preciso, aqui, me estender demais sobre este dinâmico veículo que, até hoje, lança e eterniza os principais sucessos musicais e artistas nacionais! Ademais, quem nunca se emocionou com as vibrantes narrações esportivas e quem nunca parou para ouvir os diversos programas de notícias?
Mas, nesse dia de homenagem ao rádio, deparo com uma "sessão nostalgia" traduzida na voz do inveterado comunicador, oriunda de uma crônica do "poeta do amor", Vinícius de Moraes.
O "poetinha", assim carinhosamente batizado, vivenciava sua volta ao Brasil no início dos anos 50, após 05 anos vivendo no exterior.
Já navegando em mares brasileiros e ainda de dentro do navio que o trazia de volta, o "poeta do amor" pediu um "receptor de ondas curtas" a um camareiro norueguês, tudo na vã expectativa de saber "qualquer coisa" sobre a sua "pátria amada"...
Que surpresa estava reservada ao poeta? Isso nós veremos mais adiante!
Tudo porque a "crônica do poeta" me fez reviver e vivenciar, com a emoção de sempre, momentos de uma particular "sessão nostalgia" de amor à minha terra!
Lembro, como ninguém, que em 2008, residindo no saudoso Estado de Roraima, me emocionei ao sintonizar pela primeira vez a TV Diário de Fortaleza por meio de uma antena parabólica e ali poder assistir ao telejornal "Diário na TV".
Meu Deus! Que emoção eu senti, ao ver, pela TV Diário, as ruas da minha terra!
E o que dizer quando, em 2009, trancado, propositalmente, sozinho em meu quarto, na querida cidade de Eunápolis, no extremo Sul da Bahia, e sintonizando o rádio pela internet, pude ouvir as emocionantes palavras do narrador Evaristo Nogueira, que tentava traduzir a emoção de um povo ao ver o Ceará Sporting Clube de volta à elite do futebol brasileiro!
Lembranças, emoções e recordações que vivenciei e senti nem faz tanto tempo assim, quando morei e trabalhei longe da minha terra e do meu Estado!
Voltando às origens do nosso texto, mas sem ainda terminar o comparativo atual, se, nestes tempos de internet, é difícil descrever as emoções, sonhos e lembranças daqueles que, de algum modo, longe vivem de suas origens, imaginemos nós o que seria para Vinícius de Moraes, no início dos anos 1950, sintonizar o que quer que fosse a respeito do BRASIL...
Reitero, então, a pergunta acima: - O que ouviu o poeta? Curiosamente, por coincidência ou não, o primeiro nome ouvido pelo poeta respondia por... IRACEMA!
A "virgem dos lábios de mel" emprestava seu nome a uma das mais famosas rádios de Fortaleza à época! E foi o sinal da Rádio Iracema de Fortaleza que, no início dos anos 50, emocionou um dos maiores gênios da nossa arte!
Neste final, limito-me a dizer uma obviedade: Vale sempre a pena ler Vinícius de Moraes... 

Raphael Esmeraldo Nogueira
Defensor Público e Cronista

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

PARABÉNS, QUERIDA PALMA E AMADO COREAÚ/CE!



ROMPIDA A ALVORADA DESTA SEGUNDA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2012, LOGO APÓS A CHEGADA DA PRIMAVERA, NOSSA TERRA CALIENTE DA PALMA (DIGA-SE BROA), DA CARNAÚBA, DO OUTRORA CHAPÉU DE PALHA, DO CAJU E DA MANGA, COMPLETA, COMEMORA E REMEMORA SEUS 142 ANOS DE VIDA DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA, DEPOIS DE VÁRIOS PARTOS DIFÍCEIS EM QUE RETROCEDERA À CATEGORIA DE DISTRITO DA AUGUSTA SOBRAL.

NESTA DATA, COMO FILHO DESSE TORRÃO PÁTRIO, SÓ POSSO LHE DESEJAR MUITO SUCESSO E ESPERANÇA DE DIAS MELHORES, DE BEM-ESTAR E SOPRO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL, NÃO SOMENTE PARA O SEU ESCLARECIDO E HOSPITALEIRO POVO, MAS TAMBÉM PARA O SEU ABENÇOADO TERRITÓRIO (SEDE E DISTRITOS DE UBAÚNA, AROEIRAS E ARAQUÉM), POIS É FATO DE QUE MUITO PRECISAS E HÁ MUITO TEMPO, POIS INFELIZMENTE ANDARA ESQUECIDA.

COREAÚ E SEU POVO PRECISAM ENTRAR EM SINTONIA E DESPERTAR AS CONSCIÊNCIAS CÍVICAS, MORAIS E ÉTICAS PARA ADVIREM MELHORES DIAS A SEREM USUFRUÍDOS COMO PRÊMIO: O BEM-COMUM E O SEU TÃO DESEJADO DESENVOLVIMENTO (SOCIAL, CULTURAL E ECONÔMICO), SENÃO ESTAREMOS MALFADADOS À ETERNIZAÇÃO DO MARASMO E DO RETROCESSO. SERÁ UMA PENA SE ISSO CONTINUAR OCORRENDO EM DETRIMENTO E PREJUÍZO DE SUA POPULAÇÃO. PREFIRO ÀQUELA.

É PRECISO CONSCIENTEMENTE RENUNCIAR AO APEGO INDIVIDUALISTA EM PROL DO BEM-ESTAR COLETIVO, EM QUE TODOS SAEM GANHANDO COM MORAL, ÉTICA E CIDADANIA.

É PRECISO SE DESVENCILHAR DAS AMARRAS DO ATRASO, DO EGOÍSMO E DO INDIVIDUALISMO PARA ALÇAR A BRISA DA ESPERANÇA E DA PERSEVERANÇA DE DIAS MELHORES, TUDO EM HARMONIA COM A PAZ, O COMPROMISSO, O TRABALHO E A SOLIDARIEDADE.
ACREDITO QUE QUANDO O POVO DE COREAÚ ACORDAR COM SUAS MENTES E CONSCIÊNCIAS RECHEADAS DO PLENO EXERCÍCIO DA CIDADANIA E DA DEMOCRACIA, O ROMPER DA AURORA DE DIAS MELHORES VIRÁ, PARA A FELICIDADE DE TODOS.

PARABÉNS, COREAÚ!

De Boa Vista – RR, 24/09/2012, para Coreaú/CE.

COSMO CARVALHO
Engenheiro e Advogado coreauense

sábado, 22 de setembro de 2012

MUSEU DA MEMÓRIA DE COREAÚ



Tive, finalmente, a honra, nessa festa de setembro em Coreaú, de conversar pessoalmente com o historiador Leonardo Pildas. Com sua voz mansa e delicada, nosso refinado historiador, em pouco tempo, conseguiu-me  revelar muito do seu extraordinário universo. Desde logo, descobri o nascedouro e o norte de toda a sua memorável obra: o amor incondicional à sua terra natal. O amor à Palma, pontuado pelo desafio de torná-la reconhecida além-fronteiras, tem movido Leonardo Pildas, ao longo de sua vida, numa luta incansável e praticamente solitária para preservar a memória histórica e cultural de Coreaú.
Com a perseverança e o desprendimento de sua alma franciscana, Leonardo Pildas tem pesquisado a história da Palma qual um garimpeiro afortunado, reescrevendo-a qual um ourives apaixonado. Compreendi, então, a raiz do caráter romântico da obra do historiador da Palma, voltada deliberadamente a enaltecer as glórias de sua terra e não a criticar o seu processo de formação econômico-social.
No dia seguinte, visitei a casa da família do historiador (vide foto), onde encontrei uma breve amostra do seu inestimável acervo. Livros, fotografias, documentos, todo um rico patrimônio colecionado, ao longo de décadas, com esmerado denodo.
O Arquivo Memória de Coreaú, formado pelo historiador, converteu-se no Centro de Memória de Coreaú, tamanho o crescimento do acervo, com perspectiva de originar o Museu da Memória de Coreaú, quiçá com sede na própria casa da família do historiador, o que constituiria decerto um marco na vida cultural da cidade.
Lamentavelmente, a homérica obra do historiador da Palma não tem contado com qualquer subsídio oficial, muito embora tenha granjeado o reconhecimento público e notório. Desse modo, nesse ingente desafio de preservação da memória histórica e cultural da Palma, pomo-nos à disposição para colaborar de alguma forma, conclamando todos os coreauenses e, em especial, o poder público municipal, independentemente das vicissitudes político-partidárias, a despertar para o patrocínio da relevante obra histórico-cultural de Leonardo Pildas, que poderá culminar com a instituição do Museu da Memória de Coreaú, assegurando ao Município uma posição de vanguarda na preservação da sua história e da sua cultura.         

O TAMBÉM POETA JOÃO TELES DE AGUIAR


Além de moderador do blog COREAUSIARA, o Professor João Teles de Aguiar vem se revelando um excelente poeta, principalmente como cordelista, tendo publicado vários cordéis, entre os quais menciono aqui o último, qual seja, “OS DRAMAS DE ROMUALDO”.
“OS DRAMAS DE ROMUALDO” narra a história de um jovem do interior que, depois de passar por várias adversidades na vida, supera-as por meio dos estudos e consegue seu espaço.
Eu, na condição de Professor de Língua Portuguesa do Ensino Médio da Escola Vilebaldo Aguiar, em Coreaú, apresentei essa semana o cordel em comento a meus alunos da 3.ª Série, momento em fizemos uma leitura e uma análise da obra.
Essa turma da 3.ª Série (antigo 3.º Científico) interagiu de forma satisfatória, tendo gostado, evidentemente, dos versos muito bem trabalhados pelo “ourives da palavra”.
Ao ensejo da aula, conversei ainda com meus alunos acerca da criação da ACADEMIA PALMENSE DE LETRAS (APL), ocasião em que falei sobre os propósitos da agremiação e bem como citei os nomes de seus atuais integrantes.
Ao término da aula, dei para cada aluno ali presente um exemplar do cordel.
Em resumo, foi uma aula diferente, fora do comum, e rentável.
Na próxima oportunidade, com a mesma turma, tratarei do jornal da APL.

FERNANDO MACHADO ALBUQUERQUE
Professor e membro da APL

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

COREAÚ TEM UM ESCRITOR NO CASULO



Muito proveitosa a reunião realizada no sábado último, 15 de setembro, em Coreaú, para tratar de assuntos inerentes à Academia Palmense de Letras (APL).
Depois da reunião, como já comentado pelo membro da APL, Eliton Menezes, fomos até o distrito de Araquém, onde pudemos constatar o profícuo trabalho realizado pela AEDI e pelo Professor José Maria Gomes de Lima.
Mas queria dizer que fiquei boquiaberto, estupefato com o trabalho do estudante FRANCISCO ERANDIR LIMA ALBUQUERQUE, Acadêmico do Curso de Filosofia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).
Ao visitá-lo, constatamos que ERANDIR tem 5 (cinco) ROMANCES produzidos por ele, os quais têm os seguintes títulos: O LOURINHO, A MOÇOILA, LIMARA, DISCÊNCIA, O RELIGIOSO E O ATEU.
O que mais me impressionou - como aos demais “imortais” -, foi a forma como ERANDIR escreveu esses livros, ou seja, fê-los à mão, desde as capas até os completos miolos dos romances, usando uma caneta esferográfica, ou seja, produziu-os sozinho, sem a intervenção de ninguém e sem o emprego de algum recurso tipográfico ou de informática.
Não tivemos a oportunidade ainda de fazermos uma leitura, por completo, de cada obra, todavia, percebe-se, a priori, que se trata de escritos interessantes e que merecem atenção, posto que revestidos de arte, de arte literária.
Certamente, um literato que nasce nas entranhas do distrito de Araquém, e que precisa ser lapidado e conduzido aos anais da literatura de Coreaú.
Parabéns, Erandir.

FERNANDO MACHADO ALBUQUERQUE
Professor e membro da APL
Coreaú-CE