segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

END OF THE WORLD?



O jornal inglês The Sun tratou como fim do mundo a derrota do Chelsea para o Corinthians na final do Mundial de Clubes da FIFA. A pretensão dos europeus, seguidores crédulos da lógica do capital, inclusive no futebol, está beirando às raias do delírio insano.  
No histórico do Mundial de Clubes da FIFA, há um rigoroso empate no número de conquistas: 26 troféus para os europeus e 26 para os sul-americanos. No confronto direto entre brasileiros e ingleses na final, o placar aponta 3x0 para os brasileiros: Flamengo 3x0 no Liverpool, em 1981; Internacional 1x0 no Liverpool, em 2006, e Corinthians 1x0 no Chelsea, em 2012. Não há, portanto, motivo algum para perplexidade na vitória de um clube sul-americano sobre um europeu, a despeito da enorme disparidade da folha salarial entre um e outro.  
Os europeus não escondem um certo desdém pelo Mundial de Clubes, numa postura desrespeitosa, notadamente em face da escola sul-americana de futebol. De toda sorte, a superioridade que eles tentam traduzir em empáfia não se reflete nem nos fatos, nem nos números. 
O Corinthians venceu a partida porque possui um elenco com qualidade técnica semelhante ao do Chelsea e, sobretudo, por ter jogado melhor, com disciplina tática irrepreensível e muito mais entrega em campo.
Sou torcedor do Ceará Sporting Club e não nutro simpatia específica por nenhum time do Centro-Sul, mas, como brasileiro, no Mundial de Clubes, torço sempre pela vitória do time sul-americano, inclusive quando é  argentino.   

sábado, 15 de dezembro de 2012

REUNIÃO DE FIM DE ANO DA APL



Reunião da APL na EMEIF Maria Bezerra Quevedo, em Fortaleza. O encontro foi recepcionado por uma emocionante apresentação dos alunos do Projeto Confraria de Leitura. Na foto: João Teles, Manuel de Jesus, Eliton Meneses, Galba Gomes, Benedito Gomes e Fernando Machado. O poeta sobralense Gilmar Paiva participou, como convidado, da reunião.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

COMO AVALIAR AS PRODUÇÕES TEXTUAIS?



Os estudos psicolinguísticos lançam questionamentos sobre como os professores podem melhor avaliar as produções textuais dos educandos, dando mais relevância à organização das ideias e à criatividade do que à pontuação e à ortografia.
Segundo o psicolinguista Frank Smith (1982), o ato de escrever envolve um conflito entre a composição e a transcrição. A primeira refere-se à seleção e organização das ideias e a segunda ao registro das palavras, grafia e pontuação. Segundo Smith, quando o professor avalia as produções dos alunos, imprimindo muita ênfase à estrutura textual, paragrafação, pontuação e ortografia, ele poderá desmotivá-los a compor textos, dado que os educandos, ansiosos com a transcrição daquilo que está sendo escrito, prestarão mais atenção a aspectos como a ortografia e a pontuação, tentando alcançar uma escrita "limpa", em prejuízo da composição. Talvez esse seja o grande temor dos pré-vestibulandos em relação à redação nos vestibulares, tendo em vista a má-paragrafação, a pontuação e a ortografia serem apontadas tradicionalmente como erros bastante relevantes pela banca examinadora.
Para resolução desse conflito entre composição e transcrição, Smith propõe que os profissionais em educação separem esses dois aspectos e tomem em consideração primeiro a composição e, em seguida, a transcrição. Desse modo, o aluno poderá compor transcrevendo sem preocupação. Assim sendo, para melhor conduzir o ensino da ortografia, o professor poderá fazer um trabalho de análise com os próprios textos dos educandos, selecionando os erros ortográficos de maior incidência em sua turma, propondo atividades apropriadas às necessidades dos alunos.

Auricélia Fontenele
Prof.ª de Português

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

JE EST UN AUTRE



Rimbaud (1854-1891), numa carta a Paul Demeny de 15 maio 1871, escreveu: «je est un autre» ("eu sou um outro"), professando uma concepção original da criação artística: o poeta não pode controlar o texto que sua verve exprime... Disse ainda: «J’assiste à l’éclosion de ma pensée: je la regarde, je l’écoute…» ("Eu testemunho a eclosão do meu pensamento, eu o observo, eu o escuto...") 
A fórmula de Rimbaud se opõe frontalmente à concepção cartesiana (e clássica): «je suis j’existe». (Eu sou, eu existo). A certeza da existência do sujeito pensante conduz Descartes a concluir que cada um é auto-consciente e responsável por suas ações perante os outros e perante o Outro absoluto que é Deus.
A liberdade que a fórmula cartesiana confere ao sujeito possui o propósito de poder julgá-lo e condená-lo como culpado. Rimbaud livra a arte das amarras da culpa, tornando-a plenamente livre.
Não é à toa que aos dezenove anos, tendo atingido o máximo da expressão poética, Rimbaud simplesmente abandonou a literatura e foi dedicar-se à vida.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PALMA CAMPEÃO! 3 GOLS DE ASSIS


Ainda no início da noite de um domingo do ano de 1986, a carreata chegava exultante na cidade em festa. O Palma Esporte Clube, representante de Coreaú, acabava de derrotar, na grande final, a seleção de Barroquinha, por 3x2, sagrando-se campeão da Copa Zona Norte de Futebol daquele ano. 
O time do Palma contava com alguns reforços sobralenses, como o lateral-direito Jaime, que depois se consagrou jogando no Ceará Sporting Club por longos anos, além de muitos coreauenses, como o meio-campo Jarbas Menezes, que, à época, morava em Fortaleza e ia todo final de semana reforçar o time do Palma.
O confronto ocorreu em campo neutro, na cidade de Camocim, tendo o Palma vencido a partida com três gols do jovem centroavante Assis Fontenele, que estava numa tarde particularmente inspirado.  
Aquele domingo foi decerto o dia mais sublime do esporte coreauense, tendo como principal protagonista Assis Fontenele, que escreveu com seus três gols, na final, uma inesquecível página da história do futebol local.
Lamentavelmente, nesta fatídica terça-feira, 10 de dezembro de 2012, um trágico acidente de trânsito, em Sobral, ceifou a vida de Assis Fontenele, deixando toda a família coreauense enlutada.  
Descanse em paz, centroavante! O futebol coreauense não esquecerá jamais aquela tarde de domingo e lhe será eternamente grato pela conquista. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

CARIMBADO E ASSINADO


ACORDA, COREAÚ!
Coreaú precisa se inserir na vida do Estado com um calendário de eventos consistente de realizações, como feira de livros, encontros sobre educação, festival de música (Camocim, Meruoca e Viçosa do Ceará são bons exemplos!) e de formação de pessoal, etc! O município precisa descobrir sua vocação. Chega de marasmo, num município que vive a reboque de territórios vizinhos (são porque lembrei logo de Sobral. Ih!), quando deveria quebrar essa sina. Mas como fazer isso, se nem sua capacidade agrícola é robustecida? Falta determinação, denodo, planejamento, competência,... Faltam lideranças fortes, que tenham condições, por exemplo, de arrastar pra lá as indústrias que já ocupam muitos espaços no interior do Estado! E não é rodeado de embustes, em forma de liderança, que se vai chegar a isso! Aqueles que ocupam a boca do povo por "se venderem" em épocas eleitorais estão por perto? Chamem o Ronda!

João Teles de Aguiar
Educador

ACORDA, COREAÚ II!
Há tanto o que fazer que é natural que se tenha alguma paciência para que os resultados dos projetos apareçam. Os resultados, ressalte-se; porque as iniciativas devem ser imediatas, observadas as possibilidades orçamentárias, visto que as diretrizes já estão no plano de governo apresentado durante as eleições. Espero, sinceramente, que não se incorra no mesmo erro de há quase 20 anos atrás, priorizando-se a construção de obras de aformoseamento e olvidando-se da adoção de medidas tendentes à criação e à distribuição de renda no município, que tem na miséria o seu maior flagelo. É preciso atentar para as peculiaridades locais, ser sensível às principais necessidades das pessoas, como saúde, educação e renda. Mais do que de um(a) gerente eficiente, Coreaú precisa de um(a) administrador(a) público(a) comprometido(a) com a redução das principais carências dos munícipes: a carência econômica, a carência de saúde, a carência de cultura...
Se a futura prefeita enfrentar satisfatoriamente os principais desafios, não estará plantando revolução, não estará instalando comunismo, nem estará se convertendo em objeto de adoração, mas estará somente cumprindo seus deveres de prefeita e se credenciando para uma tranquila reeleição.

Francisco Eliton A. Meneses
Defensor Público

sábado, 8 de dezembro de 2012

SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL



Um fenômeno que existe há priscas eras, mas que vem adquirindo particular destaque nos últimos tempos, mercê da sua vasta recorrência, chama-se alienação parental. É comum que o cônjuge inconformado com o fim do relacionamento, sentindo-se rejeitado ou traído, movido pelo sentimento de vingança, deflagre uma campanha de desmoralização do ex-companheiro. Nesse processo, o filho é usado como instrumento de agressividade, sendo induzido, num jogo de manipulações, a odiar o genitor alienado e a se identificar exclusivamente com o genitor alienante, tido como uma vítima indefesa de um suposto inclemente algoz que os abandonou.
Em meio a verdades e mentiras, insistentes e repetidas, a verdade do alienante torna-se a verdade do filho, que incute uma falsa ideia do alienado, resultando numa contradição de sentimentos e destruição do vínculo afetivo entre ambos, num processo também conhecido como implantação de falsas memórias.  
Com o advento da Lei n.º 12.318, de 26 de agosto de 2010, passou-se a contar com um mecanismo normativo de prevenção e de repressão da alienação parental. 
O art. 2.º da Lei definiu a alienação parental, estendendo-lhe o quadro de autores, como "a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este".
Havendo indícios da síndrome da alienação parental, mediante ação judicial, serão determinadas, com urgência, as medidas provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da criança ou do adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com o genitor ou viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, além de perícia psicológica e biopsicológica, se necessário (arts. 4.º e 5.º, Lei n.º 12.318/2010).
Demais disso, caracterizada a alienação parental, poderá o Poder Judiciário, conforme a gravidade do caso: a) declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador; b) ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado; c) estipular multa ao alienador; d) determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial; e) determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão; f) determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente e g) declarar a suspensão da autoridade parental (art. 6.º, Lei n.º 12.318/2010).
Lamentavelmente, por mais que sejam aprofundados os estudos sociais, médicos e psicológicos, os resultados muitas vezes não são conclusivos, recomendando-se, portanto, a todos os profissionais que lidam com os conflitos familiares uma permanente capacitação para identificar devidamente a alienação parental, notadamente quando acompanhada de denúncia, fundada ou mentirosa, de abuso sexual.   

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

LIRA DOS 19 ANOS


VERSOS APEELEANOS 

Apáticos versos deslizam na folha.
Sinceros desejos barrados por uma rolha.
A rolha da dor, do medo, do receio...
Que para, corrói e mata.
Um rabisco de luz espanta.
Resistir? Não adianta...
Escorrego medroso no traço oneroso daquilo que fui.
O passado já não importa!
Desço a rampa; arregaço a tampa,
Que me prendia na sufocante garrafa do medo.
Instantes se passam...
O prisma amarelado do mundo se foi.
O ar se renova. A alma enobrece.
Já não sabe se merece mesmo aquela liberdade.
Que, de nova, é ofuscante.
Pra quem nunca antes, teria clareada a vista.

Benedito Gomes Rodrigues
Membro da APL


Para apreciar outros versos da pena refinada do jovem poeta coreauense Benedito Gomes Rodrigues, todos sob a chancela do Jornal Mundo Jovem, da PUC-RS, acesse os seguintes links:

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O ESTADO, AS COTAS E A RELIGIÃO


O Prof. Glauco Barreira Filho, livre-docente da Faculdade de Direito da UFC, é contrário à política das cotas nas Universidades. Em abono de sua tese, o professor invoca Martinho Lutero, que teria distinguido a lei da graça, não somente sob o prisma da salvação, mas também como princípios ativos. Na Teologia da Reforma, somente Deus poderia usar da graça, cabendo ao Estado agir somente na esfera da lei. A partir de tais premissas, o professor conclui que: "A política de cotas para as Universidades Públicas é uma tentativa do Estado de usurpar a esfera da graça, de colocar-se no lugar de Deus. Fugindo da lógica da lei, o Estado fatalmente se corromperá, originando um governo populista, arbitrário e tirânico."
Ora, para Estados, como o Brasil, afeitos historicamente a promover e a tolerar desigualdades sociais, a tentativa de repará-las com especial atenção aos grupos excluídos não é propriamente uma graça, mas uma forma de conferir eficácia ao princípio constitucional da isonomia, sob o prisma material, tratando igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida das desigualdades (art. 5.º, CF/88). 
Num Estado Democrático de Direito, cujos objetivos fundamentais são constituir uma sociedade livre, justa e solidária; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades, além de promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3.º, CF/88), nenhuma medida de solidariedade estatal adotada no afã de alcançar os objetivos fundamentais pode ser tida por graça, mas como obrigação do Estado e direito dos cidadãos. Talvez no Estado absolutista em que vicejou a Teologia da Reforma, toda e qualquer medida estatal sensível às desigualdades poderia ser confundida com uma graça; numa república democrática, não.    
A lógica da lei dos nossos tempos é a lógica da igualdade substancial, bem diferente da lógica da igualdade meramente formal da época do absolutismo. Quando o Estado trata desigualmente, no acesso ao ensino superior, quem teve condições materiais de preparação educacional diferentes, está absolutamente nos passos da lógica legal. O populismo, a arbitrariedade e a tirania não resultam da observância da lei com olhos postos nos fins sociais a que ela se destina e nas exigências do bem comum (art. 5.º, LICC), mas no seu descumprimento puro e simples, mesmo a pretexto de não invadir prerrogativas supostamente indelegáveis de Deus.  
Quando um Estado laico resolve assumir a missão de reduzir as desigualdades sociais, não pode recear eventuais suscetibilidades divinas, mas se preocupar prioritariamente com as pessoas humanas.    

Vide:
http://www.direito.ufc.br/index.php?option=com_content&task=view&id=248&Itemid=1

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O CASTANHÃO E A "INDÚSTRIA DA SECA"



A propaganda oficial do Governo do Estado alardeou, no final dos anos 90, a solução definitiva do problema da seca. O açude Castanhão iria molhar todo o solo esturricado do Ceará, garantindo permanentemente água no pote e comida na mesa do homem do campo, mesmo durante longas estiagens. No entanto, bastou um único ano de inverno irregular para o flagelo da seca novamente ganhar as manchetes dos jornais. Carros pipas, gado morrendo, gente passando fome... O mesmo filme secular se repete. Enquanto isso, quase não se escuta falar das águas do Castanhão. A enorme barragem, com potencial para represar impressionantes 6,7 bilhões de m³ de água, está com 70% de sua capacidade total, mas, ainda assim, não tem sequer aliviado, de modo geral, os efeitos da seca de 2012 no Estado. 
À época de sua construção, foi preterida a proposta alternativa da construção de 06 (seis) grandes açudes com capacidade para 1,2 bilhões de m³ cada um, na perspectiva da descentralização das reservas hídricas. A proposta considerava que o Castanhão seria construído relativamente próximo ao Orós e numa altitude baixa em relação ao nível do mar, causando sérios problemas, sobretudo energéticos, para escoar a água para regiões mais elevadas, como os Inhamuns, onde a escassez hídrica é muito mais severa. Com dimensões menores, ademais, não seria preciso inundar Jaguaribara, tampouco construir uma nova cidade... 
O Governo, de toda sorte, preferiu a construção de uma única obra faraônica, na certeza de atrair a simpatia de muitos eleitores incautos, com o reforço de ilusórias propagandas, e, talvez, na vã esperança de intimidar as forças da natureza com a demonstração megalomaníaca do engenho humano, muito embora seja trivial que os fenômenos climáticos inexoráveis como a seca não se resolvem por obra alguma da mão humana, admitindo, quando muito, medidas de convivência harmônica.    

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

LABIRINTO DE BORGES



Percorro o labirinto cujas paredes são livros 
E o assoalho mapas com enigmas ancestrais.
Um sussurro tênue em estreitos corredores 
Nos narra mil histórias da cultura universal.
Whitman declama um poema belo sem rima,
 Revelando o estribilho liberdade criacional.
Shakespeare aparece e reinventa o humano,
Nos pessoais dilemas e sofrimentos morais.  
Uma figura taciturna, em meio à nevoa fria, 
É Poe com a sua pena de lúgubres mistérios
E o corvo agourento cantando nos umbrais.
Exultante penetro no mavioso céu de Dante,
Divisando o inferno sob um manto celestial. 
Corto vilas do mundo em cima de Rocinante,
Desfazendo desagravos de moinhos bestiais.  
Homero canta da guerra a miséria e a glória;   
Um espelho reflete o farol lírico quevediano;
Schopenhauer revolve essências fenomenais. 
Cedo aos apelos da guapa tangueira portenha
 Caindo nos passos em meio a vultos sensuais.  

Eliton Meneses

domingo, 2 de dezembro de 2012

FREIOS E CONTRAPESOS


"A Democracia Socialista, grupo político de Luizianne, decidiu fazer oposição ao Cid e ao próximo prefeito, Roberto Cláudio, trabalhando para levar o PT a unir-se em torno da tese da oposição. Se assim fizer, o PT trará um grande benefício ao Ceará e à Fortaleza. Não há grandes governos sem oposição. E o principal motivo para o cidadão não votar no candidato Roberto Cláudio era justamente para que o PSB e o grupo do governador não tenha total controle do Estado. A oposição política está em falta neste Estado e no Brasil, o que permitiu ao Heitor Ferrer acumular um grande patrimônio eleitoral."   
(André Haguette, sociólogo, no Jornal O Povo deste domingo.)

"Em toda República, há dois partidos: o dos aristocratas e o do povo; e todas as leis favoráveis à liberdade só nascem da sua oposição." (Maquiavel)

sábado, 1 de dezembro de 2012

O LERUÁ DA REGIÃO


Recebi há pouco e-mail com o seguinte teor:

"Prezado Francisco Eliton Meneses,

Estou pesquisando sobre as origens da dança do Leruá na minha cidade, Granja-CE, e encontrei um poema de sua autoria no portal do Jornal Mundo Jovem [http://www.mundojovem.com.br/poesias-poemas/regionalismo/o-lerua-da-palma]. Gostaria de receber mais informações sobre o Leruá. Qualquer informação, como nome de brincantes, como surgiu na sua localidade, fotos, textos, entrevistas, materia jornal, enfim.

Solicito permissão para citar seu poema no texto sobre Leruá que estou escrevendo.

Meu nome é JOSÉ LIRA DUTRA, sou presidente da Associação dos Artistas Granjenses [http://artgran.blogspot.com/] e colaborador do Instituto José Xavier [http://institutojosexavier.com.br/].

Grato."

Em resposta, sugeri ao colega granjense uma pesquisa no blog RM no Foco, do nosso amigo Romildo Moura, onde há um precioso acervo sobre o Leruá de Coreaú, que inclui  textos, fotos e vídeo, com destaque para uma poesia antológica intitulada "Vicente Chico e o Leruá", de autoria do conterrâneo Davi Portela.    

Em complemento, transcrevi, para subsidiar a pesquisa, a passagem do livro História de Coreaú, de Leonardo Pildas, que trata do Leruá coreauense nos seguintes termos:

"Entre as muitas manifestações folclóricas, que nos tempos idos, eram cultuadas em todos os quadrantes do município, destacamos: o Bumba-meu-boi, Maneiro-Pau ou Leiruá, Casamento na Roça, Quadrilhas e a Noite de Judas. 
(...)     
O Leiruá (Maneiro-Pau), folguedo popular, hoje quase desaparecido em nosso meio, durante muitos anos, em épocas passadas, era característico nas noites de luar e no período da Semana Santa.
É uma brincadeira simples, que mais parece uma dança, geralmente praticada por indivíduos do sexo masculino.
Quanto ao número de componentes, não tinha limite determinado. Os participantes formavam um círculo, cada um tendo à mão um porrete. Havia sempre o tirador de versos ou solista, uma espécie de líder. Eram cantadas quadras conhecidas ou improvisadas, com os versos entremeados do coro: 'Maneiro-Pau! Maneiro-Pau! ou Leiruá! Leiruá!', isso em consonância com a batida do porrete ou cacete um no outro. A toada era lenta, arrastada, bastante monótona, mas tinha seu encanto na cadência ritmada dos passos e na pancada dos porretes.
Entre os anos 60 e 80, um dos organizadores desses grupos era o Vicente Chico. Atualmente, existe, ainda, um grupo que tenta manter a tradição, durante a Semana Santa, sem contudo merecer a devida atenção da sociedade local."     
(História de Coreaú. Leonardo Pildas. Fortaleza. 2003. p. 573)

P.S.: Prefiro, data venia, a variante Leruá, por ser a forma que ouvi sendo cantada. 

O GRANDE INQUISIDOR - DOSTOIÉVSKI




O Grande Inquisidor, um dos mais célebres capítulos da literatura universal, é um poema idealizado pelo personagem Ivan Karamazov (niilista e ateu), mas relatado em forma de prosa a seu irmão Alyocha (noviço recém-egresso do mosteiro), no romance Os Irmãos Karamazov, do russo Fiódor Dostoiévski.
Trata-se de um monólogo, situado na cidade de Sevilha, à época da Inquisição, retratando um suposto retorno de Jesus Cristo à Terra de maneira insólita. Flagrado por um bispo operando milagres, Jesus Cristo é preso por ordem de um inquisidor conhecido por sua intolerância e crueldade. Durante a noite que precedia a morte de Jesus na "fogueira santa", o inquisidor o visita e profere um discurso assustadoramente profundo e complexo, condenando o retorno do Cristo à Terra, com ideias em torno da natureza humana, da liberdade, do livre arbítrio e do poder político-religioso, que continuam despertando o espanto e a reflexão de muitos pensadores até nossos dias.