sexta-feira, 31 de maio de 2019

Vidas Secas


A história se passa com uma família de retirantes nordestinos, que em tempos de seca saía em busca de água e qualidade de vida.
A família era composta por Fabiano, sinhá Vitória e dois filhos, que são citados como filho mais velho e filho mais novo. Na família ainda tinha mais um membro, a Baleia, que não é aquele animal que vive de baixo da água e sim um cachorro.
Fabiano é um bruto, típico vaqueiro, nunca frequentou a escola, às vezes chega a ver a si próprio como um animal, pois não sabe se comunicar, tanto que entrou em uma confusão em um bar com um soldado que o desafiou para um jogo. O soldado perdeu a aposta e começou a xingar, Fabiano retrucou insultando a mãe do soldado e acabou sendo preso por desacato.
Sinhá Vitória é a esposa de Fabiano, mulher de muita fé e trabalhadora, cuidava dos filhos e ajudava o marido. Sabia fazer contas, sonhava com um futuro melhor para os seus filhos, o sonho dela era ter uma cama de fita de couro para dormir. Em um dos caminhos de fuga da seca, a família achou uma fazenda abandonada, eles então se abrigaram nela. A cachorra Baleia saiu, quando voltou estava com um preá na boca, logo a família devorou, sobrando apenas ossos para Baleia, Fabiano encontra água no bebedouro dos animais , e logo pensa, “teremos água e comida hoje”. No outro dia chega um senhor na fazenda, perguntando o que eles faziam ali e queria expulsar a família de lá. Fabiano negociou, ofereceu sua mão de obra em troca de permanecer lá; então o patrão aceitou. A ideia de Fabiano agora era sobreviver.
A seca chegava, vários pássaros tentavam beber a água dos animais, as aves poderiam matar o gado de sede, diante disso Fabiano pegou uma espingarda e tentou afugentá-las, elas poderiam servir como comida, mas por pouco tempo. Nesse mesmo período, a cachorra Baleia estava muito doente, Fabiano então achou que ela estava com raiva, então decidiu sacrificá-la, sinhá Vitória tirou os meninos de perto para evitar que vissem a cena. A cachorra era como uma parte da família. Fabiano preparou a espingarda e matou a Baleia.
Fabiano estava muito endividado com o seu patrão, pois sempre pedia dinheiro emprestado. Todos os bezerros morreram, Fabiano e sinhá Vitória decidiram partir. Eles saíram de madrugada, os dois foram conversando sobre o futuro deles e dos filhos: "O que será de nossa vida? Vamos para a cidade? E os nossos filhos?"
A mãe dos meninos não queria que eles fossem vaqueiros como Fabiano. Já ele não via outro futuro para eles que não fosse esse. Todos os planos de viverem em outra terra os animavam a continuar a viagem para algum lugar onde pudessem viver e tornar os seus filhos pessoas melhores.

Carlos Henrique Albuquerque
Escola Vilebaldo Aguiar
2.º Ano do Ensino Médio

Manifestações


Vivendo e (des)aprendendo! A pessoa ir pras ruas defender o corte dos próprios direitos é para mim algo inédito...

                                                 ***

As manifestações pró-Bolsonaro deixaram claro. Apenas uma minoria da direita é fascista!

                                                 ***
1. Na eleição:

– Ah, voto no Bolsonaro, mas se ele fizer besteira vou pras ruas contra ele...

2. Depois dos cortes da educação do governo Bolsonaro:

2.1. Na manifestação em defesa da educação:

– Ela não veio...

2.2. Na manifestação em defesa do Bolsonaro:

– Ela estava na rua aplaudindo os fascistas retirarem uma faixa da frente de uma Universidade que dizia: Em defesa da educação...

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Doutor Fausto :: Thomas Mann


"É estranho que a gente sempre queira atrair os outros a seu próprio caminho."

"Quando o mundo se nos descortina – não será esse instante o mais feliz ou, pelo menos, o mais excitante da vida de toda a gente?"

"O Mal era muito mais malvado porque havia o Bem, o Bem muito mais belo porque o Mal existia. Ora, talvez – isso seria discutível – o Mal não fosse mau se não houvesse o Bem, e este não seria bom sem a presença do Mal. Agostino, pelo menos, ousara afirmar que a função do Mal consistia em salientar mais nitidamente o Bem, o qual seria muito mais aprazível e louvável quando o comparássemos com o Mal."

"Não faz mal que a juventude e sua época se compreendam mutuamente."

"Ser jovem quer dizer ser original, quer dizer conservar-se próximo das fontes da vida, quer dizer erguer-se e sacudir as amarras de uma civilização obsoleta, ousar o que outros não têm coragem de arriscar e saber voltar a imergir no elementar. O destemor da juventude é o espírito do 'Morre e transmuda-te' goethiano, é a noção de morte e renascimento." 

"A procura da verdade fica ameaçada de acabar em resignação e desespero."

"Nosso amor pertence ao destino, a qualquer destino, seja ele o que for, ainda que nos traga o ocaso que abrase o céu com o rubor de um crepúsculo dos deuses."

"O essencial não se ajusta inteiramente às palavras."

"Pessoas como eu têm, afinal de contas, suas dúvidas a respeito do acerto dos pensamentos do rebanho."

"Este (o espírito) – eis a minha firme convicção – pode empreender os mais audaciosos, os mais incontidos avanços, as tentativas e pesquisas menos acessíveis às multidões, e todavia ter certeza de servir, de algum modo elevado, indiretamente ao homem, e com o tempo até aos homens."

(Thomas Mann. in Doutor Fausto)

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Soneto LXXII


Certa noite ficaste em sobressalto;
As estrelas no céu perderam o brilho;
Algum louco apertou o seu gatilho,
Pondo um corpo inocente no asfalto.

Não se sabe vingança ou se assalto;
Era pai, companheiro e também filho;
Caminhava na vida sob o trilho;
Tinha o sonho de ir sempre mais alto.

Foi-se embora o algoz sem paradeiro;
A polícia não pôde fazer nada;
Não seria esse crime o derradeiro.

A família, de luto e desolada,
Precisava de afeto e de dinheiro,
Mas se viu para sempre abandonada.

Eliton Meneses

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Opinião x Preconceito


Na era da pós-verdade, há um esgotamento dos conceitos e uma tendência à negação de todas as 'verdades' erigidas sob o velho mundo, de uma forma às vezes perigosa. Quando, por exemplo, se pretende desconstruir o que se chama de 'discurso politicamente correto', parece tender-se para a legitimação de um 'discurso politicamente incorreto', muitas vezes atravessando a fronteira do próprio preconceito. Se há excesso no 'discurso politicamente correto', deve-se combater o excesso, e não achar que o excesso de ontem justifica o abuso de hoje. Por mais que a ciência tenha fracassado em provar a Verdade, algumas verdades estão postas, são inquestionáveis e qualquer ideia de construção de um mundo novo que pretenda ignorá-las já começa mal, sem fundamento e está fadada ao fracasso.
Num regime democrático tende-se a considerar tudo um debate de opinião. No entanto, o debate deve acabar exatamente onde o preconceito começa, muito embora se reconheça que algumas vezes haja uma linha tênue entre uma coisa e outra. Sempre ouvi dizer que a música 'O teu cabelo não nega', do Lamartine Babo, dos anos 30, era um exemplo histórico de preconceito, assim como umas passagens da obra do Monteiro Lobato, dentre outras, enfim, obras que se tinham incorporado na cultura nacional, mas que eram um retrato de uma época em que o preconceito era naturalizado e que, embora reproduzidas, não eram um exemplo a ser seguido.
Atualmente, já há pessoas defendendo que a música não veicula preconceito, porque é um poema para uma mulata, que a interpretação autêntica (a intenção do Lamartine Babo) não era aquela, que, quando se diz: 'mas quando a cor não pega', está-se querendo pegar a cor da mulata, mas, como a cor não é transmissível, se quer o amor dela... O fato é que é difícil para essas pessoas reconhecerem que o preconceito é algo coletivo e não individual. O preconceito de que se trata não é o do poeta em face da musa inspiradora do poema, mas o preconceito em face da 'raça' dela, sendo plenamente possível que alguém não goste do gênero, mas goste de algo específico desse gênero, daí o mas, que é conjunção adversativa e significa apesar de, não obstante, ainda assim...
Noutro passo, não convém buscar uma interpretação do poeta autor da obra. Afinal, não se trata de julgar o Lamartine Babo, que, a propósito, fez os mais belos hinos do futebol brasileiro e já deve estar de osso branco... A questão é que 'O teu cabelo não nega' transcendeu em muito o seu autor e se tornou talvez a mais conhecida marchinha do Carnaval brasileiro, que é famoso no mundo todo, sendo executada todo ano exaustivamente. Não se trata também de censurar a própria marchinha, que já se incorporou na cultura e não tem por que ser proibida oitenta anos depois de ter sido feita. Agora, outra coisa é achar que ela não veicula preconceito e dessa forma tentar naturalizar o preconceito que ela realmente encerra. Embora, de fato, haja uma possibilidade interpretativa que possa sugerir o desejo de ser contagiado pela cor da mulata – aliás, palavra com forte conotação depreciativa, passível de uma discussão à parte –, a interpretação mais imediata é a que sugere a cor da mulata como algo que não se quer pegar, ou seja, quer-se o amor dela já que não há o risco de contrair a sua cor, que seria algo indesejável. Tal interpretação, mesmo não tendo sido o propósito consciente do Lamartine Babo, é algo que decorre da própria literalidade do texto – mas é adversativa – e a música, como qualquer outra arte, é produto cultural de um povo e não apenas de um autor. 'O teu cabelo não nega' não é produto apenas do Lamartine Babo, mas de um país que é eivado de preconceito, de um tempo recuado em que esse preconceito era ainda mais intenso e até naturalizado, inclusive porque a sombra da escravidão ainda era latente, escravidão que adotou um dos modelos mais perversos da história.
Quando se trata de preconceito, um vetor que deve nos orientar é a perspectiva da vítima do preconceito. O que acha o negro, especialmente a mulher negra, da machinha 'O teu cabelo não nega'? Sente-se ela bem ao ouvi-la ou se sente incomodada? Decerto, muitas se sentem incomodadas; logo, se há esse incômodo, há sim preconceito envolvido e, portanto, algo que não pode ser naturalizado.
A perspectiva do preconceito não é o da coisa em si, mas a do resultado danoso que ela pode produzir. Às vezes, constrói-se um brinquedo apenas para que uma criança se diverta, mas às vezes esse brinquedo causa danos à criança e, aí, passa a ser um exemplo de brinquedo que não deve ser seguido. Se há um potencial de dano em 'O teu cabelo não nega', não se trata de censurá-la, não se trata de condenar o Lamartine Babo, não se trata de tratar intolerância com intolerância, mas de deixar claro que se trata de uma peça do passado, incorporada ao patrimônio cultural brasileiro, que, de todo modo, veicula um potencial danoso e que, como tal, não é um exemplo a ser seguido.

domingo, 19 de maio de 2019

Eu já sabia!


Quando o avião pega uma turbulência, espera-se do piloto experiência, equilíbrio e conhecimento. Entre nós, num país em crise, apostou-se num sujeito desequilibrado e estulto, que, após ser expulso do exército precocemente por indisciplina e deslealdade, agarrou-se na carreira política como um meio de vida – para si e para uma récua de filhos –, nada mais tendo feito, em mais de vinte anos como deputado do baixo clero, do que colecionar bate-bocas, destilar ódio e levar uma cuspida... Deu no que deu! Eu já sabia!

terça-feira, 14 de maio de 2019

Soneto LXXI


Eu também percorri o meu deserto;
Mergulhei no vazio da existência;
Já provei da amarga experiência,
Quando nem minha sombra dei por perto.

Sem coragem, sentei a céu aberto;
Entre pedras, exausto, sem decência;
Com sinais da mais rude incoerência,
Sob um sol sem calor me vi desperto.

Lobriguei entre a névoa alguém que chora,
Um espectro perdido que me implora,
Acossado de peso sobre os ombros.

Uma luz me surgiu na noite escura;
De inopino saí dessa tortura,
Ressurgi quase ileso dos escombros.

Eliton Meneses

domingo, 12 de maio de 2019

terça-feira, 30 de abril de 2019

Frase do mês


Ilusões da vida

Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.

Francisco Otaviano

Fluxo de consciência


Penso em partir. Partir para onde? Há muitos lugares aonde se pode ir. Talvez Florença, Varanasi ou mesmo Coreaú. Melhor é não ir a lugar algum. Andar só pelo gosto de andar. Dizem que o máximo do prazer está no percurso e não no destino final. Andar só não convém. É preciso compartilhar as coisas. Sentir acompanhado o sol brilhar. A linha do mar distante. Dois coqueiros que deitam abraçados. Essas coisas essenciais. Tomar um café. Rir de qualquer coisa. Como o mundo assume novos tons quando se está acompanhado! Na companhia de quem sente o que sentimos. Companhia visceral. A vida é cheia de mistérios. Quando menos se espera: Ei-la, diante dos seus olhos. E o mundo assume um novo significado. Não precisa ir longe. Pode-se até parar. O importante é estar sempre junto...

Apelação : extinção sem intimação pessoal



segunda-feira, 29 de abril de 2019

Soneto LXX

                                                (...)

O amor inerente ao ser humano
Aparece das mais diversas formas,
Subverte as mais austeras normas,
Faz da luz da manhã um novo plano.

Como um barco que corta o oceano,
O amor é uma força que transforma,
A saudade presente que conforma,
A verdade que afasta o desengano.

O amor é o que há de mais primevo,
O enlevo pulsante mais longevo,
O remédio da angústia mais sentida.

Quem não ama padece na caverna,
Não sentiu despertar a flor eterna,
Não conhece a razão maior da vida.

Eliton Meneses

Varanasi



"Benares is older than history, older than tradition, older even than legend, and looks twice as old as all of them put together." (Mark Twain)

Benarés

Falsa y tupida
como un jardín calcado en un espejo,
la imaginada urbe
que no han visto nunca mis ojos
entreteje distancias
y repite sus casas inalcanzables.

El brusco sol
desgarra la completa oscuridad
de templos, muladares, cárceles, patios
y escalará los muros
y resplandecerá en un río sagrado.

Jadeante
la ciudad que oprimió un follaje de estrellas
desborda el horizonte
y en la mañana llena
de pasos y de sueño
la luz va abriendo como ramas las calles.

Juntamente amanece
en todas las persianas que miran al oriente
y la voz de un almuédano
apesadumbra desde su alta torre
el aire de este día
y anuncia a la ciudad de los muchos dioses
la soledad de Dios.

(Y pensar
que mientras juego con dudosas imágenes,
la ciudad que canto persiste
en un lugar predestinado del mundo,
con su topografía precisa,
poblada como un sueño,
con hospitales y cuarteles
y lentas alamedas
y hombres de labios podridos
que sienten frío en los dientes.)

Jorge Luis Borges

Leruá




Semana Santa! Leruá!
Eu vou cantar! Leruá!
Vicente Chico! Leruá!
No meu lugar! Leruá!
Já fui menino! Leruá!
Eu quis entrar! Leruá!
Na brincadeira! Leruá!
Do leruá! Leruá!
Agora grande! Leruá!
Já sei rimar! Leruá!
Já tenho a tora! Leruá!
Que é de jucá! Leruá!
Arrocha, arrocha! Leruá!
Pode arrochar! Leruá!
Entra na roda! Leruá!
Pra nós brincar! Leruá!
É tradição! Leruá!
Que vai ficar! Leruá!
E o Caxica! Leruá!
Já foi pra lá! Leruá!
Nonato Preto! Leruá!
Foi acolá! Leruá!
E tem cachaça! Leruá!
Para tomar! Leruá!
Lá no Serrote! Leruá!
Vamos buscar! Leruá!
O pau do Juda! Leruá!
Para malhar! Leruá!
No fim da tarde! Leruá!
Vamos chegar! Leruá!
Da Sexta-feira! Leruá!
Do lagamar! Leruá!
Tem o sereno! Leruá!
Pra se banhar! Leruá!
E as pessoas! Leruá!
Pra nos olhar! Leruá!
Um festival! Leruá!
Pra nós ganhar! Leruá!
Um dinheirim! Leruá!
Se alegrar! Leruá!
Cadê o Toba? Leruá!
Pra eu passar! Leruá!
A rima agora! Leruá!
Pra descansar! Leruá!
Já tá na hora! Leruá!
Deu terminar! Leruá!
Maneiro-pau! Leruá!
Vamos torar! Leruá!
E tora tora! Leruá!
No leruá! Leruá!

Eliton Meneses