quinta-feira, 17 de março de 2016

LAVA JATO


A tese se confirma: o alvo principal da Lava Jato não era a corrupção política do Brasil, era Lula. Com Lula doravante como 'primeiro-ministro' (com foro por prerrogativa de função), a operação perderá seu objeto (principal) e entrará para a história como mais uma manobra malograda dos setores conservadores incapazes de regressar ao poder pelas vias democráticas ordinárias.

domingo, 13 de março de 2016

PARA REFLEXÃO...

MARX E HEGEL...


Na primeira aula de Filosofia do Direito, o professor Raimundo Bezerra Falcão dizia que, se fosse preciso indicar os 05 (cinco) maiores pensadores da história, ele indicaria 06 (seis): Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino, Kant, Hegel e Marx.
Um profissional do direito que não tenha ao menos uma noção vaga acerca desses nomes – que chega a confundir Hegel com Engels, baseado num manual de senso comum do ultraconservador Olavo de Carvalho –, deveria, antes de se arvorar em arauto da redenção ética do país, tirar umas férias para ler ao menos o Convite à Filosofia da Marilena Chaui, destinado aos adolescentes do ensino médio...

quarta-feira, 9 de março de 2016

UM SENTIMENTO DE PAI PRA FILHO...



Uma pequena homenagem a Gildo Fernandes de Oliveira, o maior centroavente da história do Ceará Sporting Club:
Eram cerca de 07:30 da manhã de hoje quando, ao acordar, quase que de imediato, pego o celular pra ver o que deveriam as tradicionais "mensagens de bom dia" dos tantos grupos de WhatsApp de que faço parte...
Ledo engano. Paro e deparo quase de imediato com a informação do falecimento do "Maior de Todos"...
Intuitivamente, logo me recordo das inúmeras conversas sobre futebol e sobre o Ceará S.C. que tive com meu pai...
"- Meu filho, Gildo é Gildo!" Ele sempre encerrava a conversa assim. E essa frase, aparentemente simples, definia tudo, remorava a lembrança e levava meu velho pai a sentimentos que... só uma frase define: Gildo é Gildo.
No meio dessas memórias, me recordo daquele 1969 que tantas lágrimas já havia tirado de meu pai...
Ele era, na época, um menino que tinha mais ou menos 15 anos de idade, recém-chegado em Fortaleza, vindo do município de Aratuba, no Maciço de Baturité, e havia sido convencido por um primo/amigo a ir ao PV naquele dia ver o jogo que, segundo suas palavras, nunca terminou... não na memória dele...
Pro restante dessa história, vou-me valer das palavras do radialista Júlio Salles, que, embora identificado com o Fortaleza, sempre fez questão de contar e repetir essa história como um dos jogos mais fantásticos que já transmitira.
Vou na Internet. Pesquisa rápida. Segundos apenas e tudo está vivo novamente como se eu tivesse visto tudo aquilo... A data era 19 de dezembro e, em campo, o Ceará definia contra o Clube do Remo a Copa Norte-Nordeste daquele ano.
A decisão seria em melhor de 03 partidas, mas a última somente seria necessária em caso de cada clube ter vencido uma anteriormente.
O Remo já havia vencido a primeira partida por 2 x 1 em Belém. E, com 10 minutos do 2° Tempo, o Clube do Remo já vencia por 2 x 0 no PV.
Ao Ceará só restava virar o jogo... E tinha pouco mais de meia-hora pra tentar o milagre.
Foi aí que, segundo conta o radialista, entrou o cena "o centroavante do Ceará". Ele foi ao banco de reservas ter uma conversa com o treinador (provavelmente sobre o tempo de jogo). E dali saiu no ouvido de cada companheiro de equipe. Ele batia no peito e dizia a cada um... Da em mim!.... Dá em mim!... Dá em mim!... Dá em mim!....
E foi lançando pra Gildo fazer o pivô que o Ceará diminuiu com Magela, aos 22, e empatou com Zezinho aos 32.
O caldeirão estava formado. E Gildo tratou de colocá-lo em ebulição...
E o futebol, tantas vezes acusado de ser injusto, mostra que também sabe premiar aqueles que chamam a responsabilidade nas horas mais difíceis...
Tinha que ser... E foi. Foi Gildo quem, de cabeça, virou o jogo aos 43.
Ceará 3 x 2 Remo... E o PV vibrou, tremeu, parou, calou, chorou... Se eternizou.
Os 3 x 0 do 3.° jogo coroou o esforço heroico daqueles 3 x 2...
Disso tudo, meu pai, aquele menino de mais ou menos 15 anos, disse, inúmeras vezes, ter chorado até chegar em casa. Naquele dia, naquele momento, ele se transformou num dos maiores fãs... do Maior de todos.
Obrigado, Gildo!... por todas as lágrimas de emoção que você fez meu pai derramar naquele 1969...
Obrigado, Gildo!... porque, se o sentimento alvinegro vem de pai pra filho, você me fez alvinegro indiretamente naquele 1969...
Como torcedor, pequeno que sou, talvez eu nunca seja digno de desamarrar o cadarço da sua chuteira.... E, mesmo sem tê-lo visto jogar, sei que você nunca sairá da minha memória!!!
- Gildo é Gildo! Muito Obrigado... Maior de todos!!!
 
Raphael Esmeraldo Nogueira
Cronista/Defensor Público

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

INQUIETAÇÃO DO MÊS


Cheguei a pensar que eles apoiavam a ditadura militar simplesmente porque desconheciam a história, ou porque eram analfabetos políticos ou algo equivalente, mas ando concluindo que muitos deles apoiam a ditadura é porque, na verdade, estão (e sempre estiveram, ostensiva ou veladamente) do lado do opressor, como uma opção de vida, e não adianta lição de história ou qualquer outro recurso para demovê-los de suas ideias lúgubres. 

APELAÇÃO CRIMINAL



sábado, 27 de fevereiro de 2016

SE ESSA RUA...




Se essa rua falasse,
diria: – Menino, por onde andas?
Há quanto tempo?! Manda notícia! 
Se essa rua cantasse, 
cantaria uma cantiga saudosa, 
como um velho rádio de pilha, 
sempre ligado ao romper da aurora.
Se essa rua corresse, 
correria, como eu corri, 
acompanhado ou solitário, 
nos paralelepídedos irregulares,
ainda marcados na memória. 
Se essa rua espiasse, 
teria visto eu nascer, 
na velha maternidade, 
que já nem existe mais.
Se essa rua ensinasse,
teria ensinado um aluno sonso, 
aéreo e desalinhado,
oito anos na mesma escola.
Se essa rua chorasse, 
choraria a partida solitária, 
sem nenhuma despedida,
há tantos anos atrás.
Se essa rua soubesse,
saberia que eu dei um tempo, 
aluguei outras ruas, 
mas não a esquecerei jamais. 

Eliton Meneses
Foto: Mardone França

ARTE COREAUENSE



Eis o quadro Outuno, da coreauense Airla Barboza, uma amostra do grande talento da multiartista autodidata, que doravante ornamentará nossa sala de estar. 
Airla mora atualmente em Fortaleza e é prima do cantor Belchior, que, quando aparecia, chegou a levar uns quadros da prima para sua coleção pessoal. 
As obras da multiartista, que, além de pintora, é escritora, escultora e artesã, podem ser aprecidas e adquiridas na página do Facebook Dulce Artesanato, com entrega para todo Brasil.

 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

ALTOS E BAIXOS


EM ALTA

Luiz Inácio Lula da Silva, que, com suas contradições, continua o maior líder popular do Brasil (e um dos maiores do mundo). Se não fez o que devia, ou o que podia, fez o suficiente para incomodar o andar de cima da pirâmide social...  

EM BAIXA

O Jornal Nacional, em sua campanha sistemática voltada a denegrir o PT, com foco específico doravante no ex-presidente Lula, na vã tentativa de inviabilizá-lo até 2018. 

EM ALTA

A campanha estrepitosa do progressista Bernie Sanders à Casa Branca, algo impensável até há pouco tempo. A elite americana, tão preocupada em aniquilar o progressismo alheio, especialmente da América Latina, parece estar descuidando do próprio terreiro.    

EM BAIXA

As panelas dos altos edifícios, que sempre silenciaram indiferentes ante as injustiças sociais, mas que batem ruidosas quando os seus privilégios são ameaçados. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

TANKAS


i.

 Pobre viajante,
Debaixo do sol a pino,
Não tinha descanso.
Ia andando pelo mundo,
À procura de uma sombra.

ii.

Poeta rebelde,
Um tanto desnorteado,
Pôs o pé na estrada.
Algo comum neste tempo
Carente de fantasia. 

iii.

Casa de reboco;
Feita bem no pé da serra,
Morada singela.
Te pedi um gole d'água,
Mas não respondeu ninguém.

iv.

Dançando na chuva,
Foi levado como louco,
Sem chuva e sem som.
Amarrado num hospício,
Nunca pôde se explicar.

v.

Sempre igual história:
Amanhã irá chegar
Nosso salvador.
Neste vértice do mundo,
Onde o vento faz a curva.

vi.

Calou-se o menino:
Tinha ainda muito tempo
Para ser feliz.
Sua mãe encontraria
Numa outra dimensão. 

Eliton Meneses

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

ENCONTRO INUSITADO



Chicão morava na 1651 e, sempre que o Orelhão tocava, vinha, paciente e simpático, nos chamar na 1665, arremedando o espanhol do peruano Juan:
Teléfono
Chicão era um estudante exemplar, fazia pedagogia e francês, embora não deixasse de se divertir nos finais de semana. Ao primeiro Quem é de Benfica, fui com o Chicão; a primeira vez que fui com uma turma para um forró, fui na caravana do Chicão; a primeira vez que fui ao Dragão do Mar, fui com o Chicão e duas amigas dele. Depois Chicão terminou o curso, fez um mestrado, passou para professor de uma universidade no interior da Paraíba e não apareceu mais. Há mais de quinze anos não dá notícia.
Há poucos dias, Manoel Madeira, cearense radicado em Maceió, entrou em contato comigo interessado em adquirir o Veredas Sinuosas, dizendo gostar das minhas poesias e sua esposa dos meus contos (sic). Ele estaria de passagem pela Meruoca  onde havia morado um tempo  e daria um pulo em Coreaú para apanhar o livro e conferir a produção de mel de Jandaíra do João Alberto.    
Graça (a esposa) não tinha vindo na viagem, mas me enviou um livro, de autoria dela, intitulado A Pedagogia Feminina das Casas de Caridade do Padre Ibiapina. Em Coreaú Manoel não encontrou o livro. Como não tinha tempo de ir ao Araquém, combinamos um encontro em Fortaleza. Três dias depois, fui à Rodoviária encontrá-lo. Conversamos um pouco, passei-lhe o Veredas, ele me passou A Pedagogia Feminina..., ninguém cobrou nada um ao outro... Ele disse que tanto ele quanto a esposa eram de Forquilha e eu lhe disse que tinha um amigo de lá, que dificilmente eles conheceriam, chamado Francisco Loiola, o Chicão. 
Ele me encarou com uma fleuma que lhe parecia peculiar e disse que o Francisco era simplesmente irmão da Graça. Fiquei surpreso, fiz outras perguntas para ver se se tratava da mesma pessoa, mas, de fato, era do Chicão que estávamos tratando, inclusive a Graça, observei na capa do livro, era Graça de Loiola. 
Fui embora do inusitado encontro com informações do amigo Chicão, um livro sobre um tema que muito me interessa e a certeza de que, nas voltas que o mundo dá, até as pedras se encontram.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

CHICO PEDRO


Chico Pedro é uma piada;
Solta gás e queima graxa;
Ronca quase a noite toda;
Come feito um condenado;
Zomba de qualquer cultura;
Do fundo do seu quintal.
Chico Pedro é uma comédia;
Não paga qualquer promessa;
Desfila sua arrogância
Em um mundo virtual.
Faz-se de bem entendido,
Com seu português ruim;
Só pensa na vida alheia;
Diz-se bem aquinhoado
E um homem liberal.
Chico Pedro é uma galhofa;
Não é pobre, sem ter nada;
Tem horror à gente pobre;
Para o outro, que nem ele,
Pede a pena capital.

Eliton Meneses 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

RÁDIO DE QUALIDADE


Há pouco mais de duas décadas, para se escutar uma rádio estrangeira era necessário ligar um aparelho que tivesse as frequências SW1/SW2, durante a alta madrugada, para, com muita paciência, sintonizar uma emissora de fora, que, quando resolvia aparecer, vinha com um irritante chiado e ainda com interferências. Atualmente, com o impressionante progresso técnico da comunicação, máxime com o advento da internet, praticamente todas as rádios do mundo estão ao alcance de um simples clique, a qualquer hora do dia ou da noite. Agora, o desafio do ouvinte é selecionar, nesse enorme emaranhado, o que há de mais interessante, a partir de suas preferências pessoais. As de fora que mais escuto (on line) são as seguintes: