terça-feira, 30 de junho de 2020

Frase do mês


"Homo homini lupus; wer hat nach allen Erfahrungen des Lebens und der Geschichte den Mut, diesen Satz zu bestreiten?"

Freud, Sigmund (1930a): Das Unbehagen in der Kultur. GW XIV: 471

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Dona Antônia



Dona Antônia, vizinha querida que marcou muito minha infância. O vídeo, feito por Vicente Cristino, é de 7 de setembro de 1990. Atrás dela se vê minha casa e mamãe saindo pela porta do meio. Vendo esse vídeo tão tocante, lembrei dessa crônica que fiz há alguns anos: Seu Lázaro

domingo, 21 de junho de 2020

Noite



"A noite, sim. As trevas, jamais. Se não há sol, é preciso fazer um." (Victor Hugo. Os Miseráveis)

domingo, 14 de junho de 2020

Cosmos



Gott



Nikola Tesla



Aurora : Nietzsche


"A insensatez chegou ao ponto de fazer sentir a existência mesma como punição – é como se a educação do gênero humano tivesse sido orientada, até agora, pelas fantasias de carcereiros e carrascos."

"A crueldade está entre as mais velhas alegrias festivas da humanidade."

"O cristianismo conseguiu transformar Eros e Afrodite – grandes poderes passíveis de idealização – em espíritos e gênios infernais, mediante os tormentos que fez surgir na consciência dos crentes quando há excitação sexual."

"Nada é mais seu do que seus sonhos."

"Os povos são muito enganados porque sempre buscam um enganador, isto é, um vinho estimulante para os seus sentidos."

"Coisa estranha, a nossa punição! Não purifica o infrator, não é uma expiação: pelo contrário, ela mancha mais do que o próprio crime."

"Oh, eu conheço esse bicho! Sem dúvida gosta mais de si mesmo ao andar sobre duas pernas 'como um deus' – mas eu gosto mais quando volta às quatro patas: essa postura lhe é bem mais natural!"

"Nós somos como vitrines em que sempre arrumamos, escondemos ou realçamos as supostas características que outros nos atribuem – a fim de enganar a nós mesmos."

"Quem deseja matar seu rival deve ponderar se com isso não o eterniza dentro de si."

"Abra o seu olho de teatro, o terceiro grande olho que olha para o mundo pelos outros dois."

"Quando um grande pensador quer fazer de si uma instituição obrigatória para a humanidade futura, podemos dar por certo que ele ultrapassou o auge de sua força e está muito cansado, muito próximo do seu pôr do sol."

"Quanto mais alto nos elevamos, tanto menores parecemos àqueles que não podem voar."

(Friedrich Nietzsche. in Aurora)

domingo, 31 de maio de 2020

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Dez livros que mais me influenciaram


1. Dom Quixote de La Mancha, Cervantes. Narrando as andanças do engenhoso cavalheiro idealista, defensor dos fracos e oprimidos, sempre acompanhado do seu fiel escudeiro, parvo e realista, Sancho Pança, Dom Quixote é um clássico da humanidade, eleito em 2002 o melhor livro da literatura de todos os tempos, numa pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Nobel da Noruega com os mais renomados escritores da época.

2. Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez. Cem anos de solidão desbrava um território antes inexplorado, abre uma dimensão do nosso inconsciente latino-americano esquecido em meio a superficialidades tão óbvias. A impressão que tive ao visitar Macondo é de ter revisitado também a minha Coreaú, de ter penetrado na minha própria história por um atalho que me trouxe de volta cores, cheiros e gostos de outros tempos, de um tempo que realmente dá voltas em torno de si.

3. A Divina Comédia, Dante. A Divina Comédia, o maior de todos os poemas, um farol que alumiou em plena Idade Média e conduziu a humanidade para uma nova era. Dante, guiado inicialmente pelo poeta Virgílio e depois por sua amada Beatriz, percorre o Inferno, o Purgatório e o Paraíso, partindo de uma selva escura até o encontro com a luz eterna, numa perfeita tradução de toda a saga humana.

4. Os Irmãos Karamazov, Dostoiévski. Para Freud, a maior obra da história, Os Irmãos Karamazov, último livro do Dostoiévski, retrata a complexidade da condição humana a partir do complexo de Édipo. "O demônio luta com Deus e o campo de batalha é o coração humano."

5. Obra Poética, Borges. Ler a Obra Poética de Jorge Luis Borges é como percorrer o labirinto da cultura humana, procurando, como Édipo, decifrar os enigmas da vida, ciente de que: "Nuestro hermoso deber es imaginar que hay un laberinto y un hilo." (Borges)

6. A Gaia Ciência, Nietzsche. A Gaia Ciência do Nietzsche reúne 383 aforismos, nos quais o filósofo expõe suas ideias sobre arte, moral, história, política, conhecimento, religião, guerra, ilusão, verdade... "A eterna ampulheta da existência será sempre invertida — e você com ela..."

7. História Econômica do Brasil, Caio Prado Júnior. A História Econômica do Brasil do Caio Prado Júnior revela as contradições e as causas além das aparências que permeiam cada etapa do (sub)desenvolvimento econômico brasileiro.

8. As veias abertas da América Latina, Eduardo Galeano. As veias abertas da América Latina do Eduardo Galeano retratam a história da América Latina, desde o período da colonização europeia até a atualidade, denunciando a exploração econômica e a dominação política do continente, inicialmente pelos europeus e seus descendentes e, depois, pelos Estados Unidos. "Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. (...) Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina ganha produzindo-os."

9. Bhagavad Gita, Krishna. No campo de Kurukshetra, na iminente batalha entre Kauravas e Pandavas, Krishna apresenta ao hesitante Arjuna a alternativa do reto-agir, instando-o a lutar pela reconquista da essência do ser, usurpada pelos agentes do ego. O Bhagavad Gita é o livro mais célebre do Mahabharata e é o texto mais venerado pelos hindus. Quem já ouviu a música Gita, do Raul Seixas, já ouviu um pouco do Bhagavad Gita... Mahatma Gandhi teria dito que, se toda a literatura espiritual da humanidade perecesse e só se salvasse o Sermão da Montanha e o Bhagavad Gita, nada estaria perdido.

10. Novo Testamento, Cristo. Se Nietzsche confessa que "a maior parte de nossa atuação intelectual ocorre de forma inconsciente e imperceptível para nós", Cristo nos ensina a criar uma nova humanidade a partir de uma consciência elevada que desafia as pulsões do homem primitivo e assegura um novo mundo aos pobres de espírito, aos que têm fome e sede de justiça, aos que transcendem o próprio ego a partir do amor a Deus e ao próximo... O Velho Testamento é um livro histórico, o livro sagrado é o Novo Testamento.

domingo, 24 de maio de 2020

Necropolítica


Bolsonaro tem quatro pilares fundamentais de apoio: 1) o núcleo econômico, apelidado de "setor produtivo", formado por ruralistas e empresários vorazes; 2) o núcleo religioso, com seus fiéis (evangélicos e católicos) fundamentalistas; 3) o núcleo cibernético, com os "anônimos" da indústria de "fake news" e 4) o núcleo militar, com as viúvas e saudosistas da ditadura militar. Apesar do vigor desses quatro pilares, a longevidade do governo Bolsonaro dependerá mais da recuperação a curto prazo da economia no pós-pandemia do que da atuação desses quatro núcleos. O governo sabe disso e por isso insiste tanto na retomada a todo custo das atividades econômicas, mesmo no ápice da crise de saúde. Para um governo insensível, em 2022, as mortes serão esquecidas; os efeitos da crise econômica, não. Há um cálculo político nisso. Um cálculo e uma certeza de que não há governo que resista a uma crise econômica crônica...