sábado, 16 de março de 2013

MERAS COINCIDÊNCIAS


No dia anterior ao início do conclave para a eleição do novo papa, publicamos uma postagem sobre Jorge Luis Borges, comumente aclamado como o maior escritor argentino de todos os tempos. O papa eleito, para surpresa de todos, foi um também argentino, também nascido em Buenos Aires, também chamado Jorge. O novo papa escolheu o nome Francisco para o seu batismo como pontífice. Borges, na verdade, chama-se Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo. Enfim, Borges também se chama Francisco. Além disso, o papa Francisco é um amante confesso da literatura. E sabem quem é o escritor predileto do novo pontífice? Isso mesmo, o seu conterrâneo Jorge Luis Borges... Muita coincidência, não?   
Já não bastasse tanta coincidência, na nossa primeira viagem a Buenos Aires, numa visita à Casa Rosada, resolvemos entrar na Catedral Metropolitana, que fica do lado, na mesma Praça de Maio, e acompanhar a missa que estava em curso. Um certo cardeal que lamentava a crise argentina conduzia a missa... Adivinhem quem era? 

quinta-feira, 14 de março de 2013

VEREDAS SINUOSAS



Acaba de chegar, direto da Califórnia, Estados Unidos, um primeiro lote da primeira edição da nossa coprodução com o companheiro Benedito Rodrigues, Veredas Sinuosas – Poesia e Prosa. 
A venda é exclusiva pela internet, no site www.blurb.com. É só digitar Veredas Sinuosas no quadro de busca da página eletrônica e seguir os passos da compra. Mas, como promoção, as 05 (cinco) primeiras pessoas que enviarem e-mail, com nome e endereço, para fcoeliton@ibest.com.br receberão o livro inteiramente grátis, em casa. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

SALVE, Ó FRANCISCO!



Annuntio vobis gaudium magnum;
habemus Papam:
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum,
Dominum Georgium Marium,
Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Bergoglio,
qui sibi nomen imposuit Franciscum.

A despeito de o novo papa ser um jesuíta conservador distanciado da Teologia da Libertação da América Latina e suspeito de condescendência com a ditadura militar argentina, não podemos deixar de saudá-lo; afinal, pela primeira vez na história, temos um papa sul-americano e que invoca o nome de Francisco de Assis para o batismo do seu pontificado. Um religioso conhecido pela simplicidade, humildade e defesa das pessoas carentes.
Salve, ó Francisco! Que a "luz que brilhou sobre o mundo" alumie os seus passos!

Em Aracati, logo que a fumaça branca apareceu na chaminé da Capela Sistina, um festival de fogos se ouviu por toda a cidade, saudando a eleição do novo papa. No entanto, momentos depois, uma vez anunciado o nome e, sobretudo, a origem do pontífice, o silêncio foi absoluto.
Ao deixar o fórum e chegar no hotel, indaguei do moço da recepção o que achava do novo papa, e ele me respondeu:
– Perdemos de novo! 1 a 0 Argentina! 

segunda-feira, 11 de março de 2013

JORGE LUIS BORGES



Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires, 24 de agosto de 1899 — Genebra, 14 de junho de 1986) foi um escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino. 
Sua obra abrange o "caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a literatura". Seus livros mais famosos – Ficciones (1944) e O Aleph (1949) – são coletâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios e livros fictícios, religião, Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o gênero da literatura fantástica. Estudiosos notaram que a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que 'os poetas, como os cegos, podem ver no escuro'". (Wikipédia)

"A exemplo do poeta português Fernando Pessoa, Borges cresceu falando e lendo inglês, segundo consta, tendo lido Cervantes em língua inglesa, antes de fazê-lo no original. Desde o princípio, foi pequena, para Borges, a distinção entre a leitura, como espécie de reescritura, e a escrita em si. (...) Foi em De Quincey que Borges encontrou, pela primeira vez, um dos seus princípios cardeais de que a linguagem organiza e reescreve o cosmo: (...)
Espelhos, tanto quanto labirintos e bússolas, como se sabe, ocorrem com frequência em Borges: constituem metáforas que se propõem a responder o enigma da Esfinge de Tebas: o que é o homem? Borges aprendera com De Quincey que o próprio Édipo, e não o homem, de modo geral, é a verdadeira solução da charada. Édipo cego, Homero, Joyce, Milton e Borges: eis um quinteto de um só. A mãe de Borges morreu aos 99 anos, após trabalhar durante muito tempo na função de secretária do filho. Urbano, irônico, polido, Borges só perde a compostura quando o nome de Freud lhe é mencionado. Dignifiquemos Borges associando-o a Édipo, o homem, e não o complexo. A genialidade de Borges, especialmente da sua obra de não-ficção, é demonstrar o que é o homem: sujeito e objeto da sua própria busca." (Harold Bloom) 

sábado, 9 de março de 2013

GALBA GOMES E RAIMUNDO GOMES



José Galba de Menezes Gomes é cirurgião-dentista, professor, escritor, nascido em Coreaú, em 12 de dezembro de 1943.
Há tempos radicado em Fortaleza-CE, Dr. Galba Gomes nos honra muito, também, como membro da Academia Palmense de Letras (APL), ocupando a cadeia de n.º 06, cujo patrono é outro coreauense e dentista, no caso, o Dr. Raimundo Gomes.
Por seu turno, Dr. Raimundo Gomes (tio-avô do Dr. Galba Gomes), nascido na Palma, em 06 de agosto de 1879, e falecido em Fortaleza, no dia 3 de setembro de 1961, cuida-se da figura que foi homenageada (in memoriam) pelo Município de Coreaú, visto que o Posto de Saúde inaugurado no dia de ontem, 08 de março de 2013, leva seu nome no frontispício.
Voltando ao Dr. Galba Gomes, é de autoria dele o livro "1968 E OUTROS MOMENTOS NA ODONTOLOGIA, NA POLÍTICA E NA CIDADANIA PLENA", publicado em 1999, pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR.
Portanto, duas figuras da mesma família, com atributos muito semelhantes.

Fernando Machado Albuquerque 
Professor/Membro da APL

P.S.: O autor teve como fonte o livro História de Coreaú (1702-2002), de Leonardo Pildas.

CHANCELLER 100



De cócoras no meio da sala, Baía mal olhava para a televisão, curubijando a mistura do meu prato raso de arroz e feijão. Naqueles tempos de dificuldade, o bife de carne pareceu-lhe uma iguaria tentadora. No meu fastio crônico de menino desnutrido, eu apenas remexia desinteressado o prato com a colher, sem desgrudar os olhos do desenho animado.    
Baía acabara de mostrar-me, antes do almoço, a nova aquisição da sua invejável coleção de carteiras de cigarro. Era uma Chanceller 100, dobrada com esmero em forma de dinheiro, miúda e rara, estampada com faixas azuis em diferentes tons, ocupando um canto destacado da sua maleta de madeira. Fiquei boquiaberto.  
As carteiras de algum valor da minha pobre coleção não passavam de três: uma Mustang, uma Arizona e uma Minister. As demais eram carteiras muito comuns nas ruas da cidade. Talvez toda a minha coleção não chegasse ao valor da Chanceller.
Baía era menino sereno, precoce para a idade, organizado. Não nos acompanhava nas andanças atrás de carteira pelas ruas. Tinha fornecedores, alguns donos de bar, alguns fumantes endinheirados, alguns caminhoneiros de passagem pela cidade.
Estranhei o interesse dele pelo bife. Imaginava que na casa dele passava-se melhor. Ofereci um pedaço. Ele balançou desconfiado a cabeça afirmativamente. Perguntei se ele queria negociar o bife todo. Ele voltou os olhos para a televisão, com alguma indiferença. Disse que trocaria o bife pela Chanceller 100 dele. Baía, com os olhos ainda na televisão, fez um rápido sinal de positivo com o polegar e se retirou. 
Arrependi-me da proposta ofensiva. Devia ter ferido os brios do amigo. Interpretei o sinal positivo do polegar como uma ironia. Estava certo de que ele não negociaria a sua valiosa Chanceller 100, recém-adquirida, por nada no mundo.
Antes que eu parasse de pensar no episódio e começasse a almoçar a comida já fria, porém, eis que me ressurge o Baía, com a Chanceller 100 em mãos, entregando-a a mim. Não me contive. Passei-lhe o bife com as mãos trêmulas e corri para o quarto para apreciar incrédulo a raridade que acabara de adquirir.       
Pouco depois, vendo o prato de arroz e feijão no meio da sala, D. Leda me chamou:  
– Bora menino, comer o resto! Ó menino réi doido por carne! 

sexta-feira, 8 de março de 2013

DIÁRIO NEWS


¡ADIÓS, CHÁVEZ! 

É natural que a nossa grande mídia tenha sempre tentado retratar Hugo Chávez como uma figura  autoritária, populista e caricata. Os avanços sociais da República Bolivariana da Venezuela não interessam; a resistência ao imperialismo, tampouco. As eleições por lá não representam democracia. O apoio das bases populares ao Governo de Hugo Chávez não interessa. O que interessa para a mídia é um Chávez alvo de um arroubo autoritário do rei Juan Carlos: – ¿Por qué no te callas? O que interessa para a mídia, historicamente conservadora, é um mundo sem resistência, sem Chávez e sem chaves para descerrar os grilhões de uma audiência passiva.  

SECA GLOBALIZADA

As correntes de ar que cruzam o Oceano Pacífico e a temperatura das águas do Atlântico Norte, influenciadas pelas geleiras do Polo Norte, determinam o ciclo das chuvas e secas no Nordeste do Brasil. Atentos aos indicadores dos oceanos, os institutos de meteorologia já haviam anunciado timidamente que 2013 seria mais um ano seguido de seca no Nordeste. Com a Zona de Convergência Intertropical (correntes de ar úmido que envolvem a Terra próximo à linha do equador) distante da região, a previsão vem-se confirmando na perspectiva mais dramática. A seca de 2012, considerada a maior dos últimos 40 anos, espraia assustadoramente sua aridez  pelo ano de 2013. Na sua árdua convivência com o semi-árido, o nordestino defronta mais uma grande seca, possivelmente tão grave quanto a de 1583/1585, a de 1720/1791 e a de 1877/1879, em que pese as atuais condições socioeconômicas e estruturais da região tenham conseguido mitigar consideravelmente o flagelo e o êxodo vistos nas secas de outrora.        

ABAIXO O PRECONCEITO

A Corregedoria do Tribunal de Justiça do Ceará determinou que os cartórios do Estado convertam, quando  solicitados pela partes, as uniões estáveis homoafetivas em casamento. O Ceará é a 8.ª Unidade Federativa a adotar a medida, deflagrada depois da orientação jurisprudencial firmada pelos Tribunais Superiores acerca da matéria. Alagoas, Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Espírito Santo e Distrito Federal já haviam derrubado a barreira jurídica preconceituosa. Salve a diversidade!  

terça-feira, 5 de março de 2013

VELHA SALAMANCA



Foram quatro anos e meio
De um namoro atribulado.
De hesitação, de novo veio,
Em aprendizagem plasmado.

Foram quatro anos e meio
De morada quase do lado;
De lucubração e devaneio
Num palmilhar demasiado.

Foram quatro anos e meio
De um estudo disciplinado;
De amigos cheios de anseio;
De um estágio remunerado.

Foram quatro anos e meio
De rol de lente autorizado;
Um tempo de juvenil enleio
Que não pode ser olvidado.

Eliton Meneses
Da Turma 1996.1

O POVO - JORNAL DO LEITOR


domingo, 3 de março de 2013

PEDAGOGIA DO OPRIMIDO


ANIVERSARIANTES DO DIA




Hoje fazem aniversário meu filho e meu pai! João Pedro faz 05 anos e o avô Oneon 75. Feliz aniversário e vida longa, com saúde e paz, para ambos.
"(...) Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro; você tantas vezes provou que é um grande guerreiro!"

Amico by Roberto Carlos on Grooveshark

sexta-feira, 1 de março de 2013

O LERUÁ NO SERINGAL



– Como é que pode, rapaz! Como é que pode?! 
Bradou Vicente Chico no pátio da mercearia modesta do decadente seringal. A dívida acumulada pelo seringueiro já não permitia novos acréscimos. O minguado salário dos próximos meses não comportaria nem mais um trago de cana.   
– Bota mais uma, rapaz! Bota aí mais uma! Eu sou é o Vicente Chico! O campeão do Leruá de Coreaú e de toda a região da Serra da Meruoca!
Insistiu Vicente Chico, já furioso, aos requebros e gatimanhos no terreiro, em meio à mata fechada do seringal paraense, articulando precariamente as palavras céleres e quase incompreensíveis.
O segundo ciclo da borracha havia cessado, com o fim da Segunda Guerra Mundial. Na Amazônia, os seringais estavam em extinção. Os remanescentes dos "soldados da borracha" começavam a voltar, quase todos, para o seu Nordeste, dentre eles Vicente Chico e Oneon, endividados, adoentados e sem perspectiva de vida.
O comerciante gaúcho, até então, nunca ouvira falar em Coreaú ou em Serra da Meruoca. Também não fazia a mínima ideia do que viria a ser o Leruá. Mas ficou um tanto intrigado pelo fato de aquele humilde seringueiro – alto e magricela – afirmar-se campeão em alguma coisa.
Oneon cedeu aos apelos de Dona Fransquinha e saiu contrariado de sua cabana em busca de Vicente na bodega do seringal. Ainda ao longe avistou a dança indignada do conterrâneo no terreiro e não conteve a  apreensão com uma possível represália da capangada. Ao aproximar-se, porém, viu aliviado que o próprio comerciante findou oferecendo ao irrequieto seringueiro uma dose de cana, arrefecendo-lhe o ânimo para tentar aplacar a curiosidade:
– O senhor é campeão mesmo em quê?
– Sou o campeão do Leruá da região da Serra da Meruoca, rapaz!
Antes que a conversa encompridasse, Oneon interveio, intimando o camarada para retornar para a cabana, onde a mulher o aguardava pressurosa.
Vicente declarou que homem nenhum o tiraria da bodega. E, diante da ameaça do camarada de levá-lo na marra, encarou irônico a pouca estatura do conterrâneo afoito e arrematou:
– Só acho pouco é o volume!