domingo, 29 de julho de 2012

ACADEMIA PALMENSE DE LETRAS



Há problemas e sonhos reprimidos.
Há vozes na iminência de despertar. 
Há uma longa senda a ser percorrida.
 Há toda a crise de valores a contestar.

Temos alguns assentos preenchidos;
Outros tantos que esperamos ocupar;
A militância cultural a ser perseguida;
E bandeiras libertárias para professar.

De mãos dadas seguiremos fortalecidos 
Contra a corrente do marasmo a velejar.
No mar revolto das trevas dos oprimidos,
O segredo do mundo das luzes desvendar.

Somos idealistas meio loucos reunidos
Da terra que dorme e esqueceu de sonhar.
Nas mãos, flores e livros; olhos comovidos;
Escrevemos poesia com palavra e caminhar.

Francisco Eliton Meneses

sexta-feira, 27 de julho de 2012

CAMINHOS DE SILÊNCIO


Esses caminhos
Entrecortados de silêncios
Me preenchem de sussurros

A voz das ondas
Canta ao longe
E o silvo do vento nos coqueirais
Responde alguma indistinta coisa
Sobre a minha cabeça

Não sei onde esses caminhos me levam
De repente,
Percebo-me tão distante de mim mesmo
E da vida que me espera
Que não desejo mais voltar

O grito alegre de um menino me chama
Corro atrás da criança que fui um dia
Mas os meus filhos fogem
Pelo gramado verdejante do tempo

Um dia será tudo outra vez silêncio
E o vento a falar, ao longe,
Nos meus ouvidos pelosos.

Aracaju, 13.XI.2010

Nagibe de Melo Jorge Neto
Poeta e Juiz Federal

O MEU AVÔ NAGIBE


Quando nasci, faltavam 3 dias para o meu avô completar 68 anos. Meus pais moravam em Quixadá e ele, em Fortaleza. A primeira lembrança que tenho dele é de uma véspera de natal ou outra comemoração; minhas tias e tios todos reunidos pela manhã, antes da festa, e eu brincando com uma bola de encher. - Nagibinho, me dê esse balão, meu filho. Se estourar, é capaz do seu avô ter um troço com o susto – eram os cuidados da tia Salete.

Por essa época o vovô já era meio surdo e estava longe de onde eu brincava; até hoje me pergunto como se daria o susto.

Uma grande distância nos separava; mas nem por isso, ele deixou de me influenciar enormemente. Eu observava de longe aquele velhinho de andar arrastado, circunspeto, indiferente às superficialidades da vida, reverencial. O modo cerimonial como se sentava à mesa na hora do almoço, sempre depois de acender a luz da sala de jantar e antes de bater com o garfo no prato, anunciando a refeição. A maneira como, invariavelmente, servia-se:

– Primeiro o arroz, depois o feijão e depois o macarrão, depois, se ainda tiver, pode vir tudo que quiser. – cantava para fazer graça.

Depois do almoço, o pudim. E o café, cuja xicrinha levava para a varanda, onde estirava as pernas sobre outra cadeira, depois do invariável – Aaahhh! Tinha fama de dengoso, e de teimoso também, o meu avô. Mas teve uma vida bem ativa. Aposentou-se só aos 70 anos de idade, na expulsatória, como Sub-Procurador Geral de Justiça, o que não o impediu de continuar a trabalhar até quase 80, como assessor do Des. Ferreirinha, no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará. Tinha orgulho de ter, em determinado ano, alcançado a marca de mil pareceres lavrados na Procuradoria de Justiça do Estado do Ceará.

Que a cerveja era a sua bebida preferida, só soube por ouvir dizer. Não alcancei essa época, só bebi com ele uma vez. Cismou um dia que voltaria a beber. Abriu o portão e foi para o bar, sob os gritos de apuros da minha avó. Trouxe ainda duas garrafas, que bebemos na varanda. Foi só, ou desistiu da idéia ou vez aquilo de pirraça com a vovó.

Depois de aposentado, vi-o muitas vezes no seu gabinete, datilografando em uma remington manual. Aquela pequena sala, a qual só se podia atingir passando pelo quarto da vovó e pelo quarto de vestir, era mágica pra mim, tinha uma ampla janela que, nas horas viçosas da manhã, espalhava uma luz leitosa e fresca sobre a escrivaninha negra do vovô, repleta de pequenos cacarecos, canetas, relógios e despertadores de todos os tipos, lanternas, canivetes e, até, uma ou outra ferramenta. A mesa onde se apoiava a máquina de escrever ficava por trás do bureau e da cadeira giratória, com apoio para os braços, de madeira de lei; mais que isso, cabia apenas a pequena estante com poucos livros e, na parede, um pôster fotográfico, onde eu, com apenas dois anos de idade, sorria em preto e branco.

Foi nessa estante que encontrei, já adolescente, estudando em Fortaleza, uma brochura intitulada O misterioso triângulo das Bermudas. Depois do almoço, o vovô com as pernas esticadas, sentado da dita varanda, palito no canto da boca, vendo-me folhear o livro, falou. - Quer levar? Leve... - Acho que já perdi o livro que, naquele dia, carreguei com rematado orgulho.

Eu morei um tempo perto da casa dele e sempre andava por lá. De certa feita ele me pediu para comprar o leite, deu-me o dinheiro e fui satisfeito como o quê. Voltei com um saco de leite B; o C havia acabado. Ao receber o pacote, não teve dúvidas. - Olhe Wanda! Esse menino é abestado...

Cresci ouvindo ovações ao vovô, mas eram a minha avó, as minhas tias, o meu pai. Não se deve dar muito crédito, embora não se desmereça. Quando ingressei na Faculdade de Direito, escutei outras referências a ele. Alguns professores o conheciam e não hesitavam em tecer-lhe comentários elogiosos. Um dia transmiti-lhe que um professor de Direito Penal mandara lembranças e um grande abraço. - Quem?... O Desembargador?... Foooi?... Ehehe. - O professor era um renomado advogado.

Às vezes via-o tão lúcido, escrevendo alguma coisa ou fazendo versos, que me perguntava onde estavam os livros do vovô, a sua grande biblioteca de Direito Penal. Papai me dizia que uns haviam sido emprestados, outros se deterioraram pelo Mondubim, no sítio onde eles moraram por um tempo. Uma vez, num desses momentos pós almoço, não sei porque, o vovô recitou pra mim, como que para testar sua memória, o art. 81 do Código Civil, enunciando o conceito de ato jurídico. Acabara de ser entabulada a nossa mais profícua discussão jurídica.

Jamais o vi lendo coisa diversa dos pocket books de faroeste, deitado de lado na ampla cama, o abajur aceso. Tinha aos montes. Era como se sua vida se tivesse resumido ao essencial: permanecer ao lado da Wanda, montar a árvore, instalar os enfeites luminosos por toda a casa e também no jardim, a cada Natal. Era altiva a maneira como, nas sucessivas vésperas de Natal que passei na casa da vovó, ele permanecia na sua felicidade centrada, indiferente ao fuxico, ao ruge-ruge de gente. Os homens sentavam numa mesinha na varanda, bebiam e conversavam e o meu avô em sua placidez distante, separado dos assuntos mundanos.

Era auto-suficiente. Ele se bastava. Fazia os próprios projetos e os executava, como no dia em que resolveu dirigir seu velho Diplomata SS, rubro-negro. Depois de tanto tempo sem guiar, simplesmente pegou das chaves, deu a partida e a aventura acabou numa frondosa árvore que se erguia na calçada oposta, bem em frente à garagem, com uma lanterna quebrada.

Tive a alegria de vê-lo e ajudá-lo a consertar seus carros. Detinha uma técnica toda especial para fazer com que o motor funcionasse, tampando com a mão a saída de ar do carburador. Por duas oportunidades fui com ele até o Mondubim. Levávamos cloro para a piscina, almoçávamos, e, numa das vezes, o vovô tirou a camisa e se pôs a concertar o motor de puxar água, botava força, praguejava; não havia jeito, não sairíamos dali antes que ele sentenciasse. – Ficou formidável, especial.

Depois de algum tempo que a Trycia freqüentava a casa dos meus avós, ele nos sacudiu a pergunta:

- Porque não casam?

- Com que dinheiro, vovô?

- Ehehehe...Não precisa de dinheiro para casar... – Talvez um dia eu entenda.

O meu avô atingiu um estágio onde os questionamentos e as preocupações cessam. A filosofia resume-se ao ato. Bastava-lhe viver e deixar que os outros, por queridos que fossem, também vivessem. Olhava a vida com um distanciamento confortável, um silêncio cúmplice, uma serenidade de quem sabe que não é preciso se justificar perante ela. Quando me despedia dele, beijava-lhe a cabeça sempre pensando no herpes zoster que lhe atingira a testa alguns anos antes e ele:

- Tá... Felicidades...

Conservava-se austero, as mãos entrelaçadas atrás da cintura e os lábios crispados, fazendo um pequeno beiço. Altivo. Como se não fosse preciso qualquer esforço para se alcançar o sentido da vida.

Nagibe de Melo Jorge Neto 
Juiz Federal e Escritor 

THE NEW COREAÚ ARRE ÉGUA TIMES

quarta-feira, 25 de julho de 2012

É A CARA DO PAI... OU MELHOR, É A CARA DOS PAIS


Não era assim que as "cumadis" diziam quando íam visitar o filho recém nascido da outra? Pois bem: O danadinho já tinha sido parido faz uns dois meses mas somente amanhã será levado a público. Falo da edição comemorativa do The New Coreaú Arre Égua Times. Dez anos depois que circulou o primeiro número. Amanhã nas ruas, nas ruas não meu Deus do céu. Nas mãos dos leitores... Tudo pronto. A logística afinada. Um dos grandes protagonistas desta epopéia: Francisco Eliton Albuquerque Meneses o imortal número dois da Academia Palmense de Letras APL, que ingetou ânimo e muito mais coisa nesta empreitada. Sem falar na colaboração com artigos dele e de sua esposa abordando os mais variados temas da cultura coreauense. Fernando Machado Albuquerque e o professor e blogueiro João Teles de Aguiar participam com crônicas abordando a  necessidade de afinarmos a cultura local como movimentos afins e sobre a bucólica Palma de outrora respectivamente.  Benedito Gomes Rodrigues o imortal número três chega a edição com um convive aos jovens de todas as idades para o deleite "leitural". Pela penas deste aspirante a escriba mor desta nação sucupirana e Presidente da Academia Palmense de Letras fica dois pequenos artigos: Um sobre a importância das organizações de classes, coisa longe de existir nesta terra sucupirana,  os classificados Arre Égua e também uma breve análise sobre como se encontra o sistema educaçional em nossa nação como um todo.

Para complementar o lançamento do mesmo, já está agendado para na Rádio Princesa do Vale FM de 11:00 h ao meio dia entrevista dos doutores Francisco Eliton Albuquerque Meneses e Fernando Machado Albuquerque, falando da Academia e seus objetivos. Por motivo de força maior os ilustres leitores e ouvintes serão poupados de me ouvirem. Mas não duvidem se a noitinha não estivermos no programa do José Marques. 

Em tempo: Para quem espera um jornal nos moldes de dez anos atrás, esqueçam a aridez e acidez de outrora. Como diz o meu amigo e colega Raimundo Marques ele veio entre o Diet e Light. E com idéias saídas de muitas cabeças o que o torna ainda muito mais qualificado se comparado com o anterior que era o meu DNA.

Boa leitura a todos...

Manuel de Jesus Êpa!

Tenho dito... E sempre!!!

terça-feira, 24 de julho de 2012

O LIXO FORA DA LATA


Num rápido giro por parte do entorno da velha Palma, testemunhei perplexo muito lixo acumulado nas vias públicas. Monturo de lixo no acostamento da rodovia que corta a cidade, monturo de lixo nos muros do cemitério, monturo de lixo no leito do Rio Coreaú. A população segue resoluta sua vida em meio a tanto lixo nas ruas, aparentando não se incomodar com o próprio descaso, tampouco com a inércia do Poder Público.
Testemunhei também perplexo a extrema pobreza da periferia da cidade, a ocupação irregular do espaço urbano, o suplício impiedoso do Rio Coreaú. 
As ruas por onde andei nos meus tempos de menino vendedor de peixe permanecem as mesmas, mais pobres e envelhecidas. A Rua do Peão, a Rua de Baixo, a Rua dos Boeiros, a Rua do Cemitério, a Rua da Lagoa... Algumas novas foram abertas, outras ampliadas, mas todas igualmente pobres e carcomidas.    
No leito seco do Rio Coreaú há muito lixo, ossadas de animais mortos e fezes humanas... O Poço do Carro resiste como poço de água esverdeada de odor desagradável. Nada mais de água se avista num horizonte comprido de rio.
Em meio ao passeio desolador, ainda tive a infausta notícia de uma crise abrupta de próstata do meu velho pai. Corremos ao hospital da cidade. Não havia médico! O atendimento do plantão ficava por conta da solícita enfermeira, que, sem recursos, encaminhou o caso para Sobral.    
Na Santa Casa de Misericórdia da terra de Dom José foram logo avisando que não contavam com urologista, sugerindo o Hospital Dr. Estevão. Ali meu velho foi atendido por um ginecologista (sic) e ficou internado por algum tempo. Também não contavam com urologista. Uma hora depois de dores intensas e descaso, conseguimos uma consulta com um especialista numa clínica particular nas imediações.
O atendimento célere e simpático do especialista contrastava demasiadamente com o da rede do SUS. Sugeriu que retornássemos na Santa Casa. Havia a necessidade de uma intervenção cirúrgica de emergência para o esvaziamento da bexiga. 
Fomos alertados da possível demora, mas ainda assim não imaginávamos o quanto padecia a população pobre da Zona Norte do Estado do Estado do Ceará no serviço de saúde da cidade que se ufana da excelência de suas últimas administrações municipais. Misericórdia!
Há decerto grande demanda, mas com um único médico atendendo a emergência, não há corredores para suportar tantas macas agonizantes... 
Depois de horas de dores e indiferença, encaminharam o paciente para a cirurgia, na manhã seguinte avisaram que a tinham realizado. 
É hora de retornar para o urologista...   

quinta-feira, 19 de julho de 2012

GREVE DOS PROFESSORES FEDERAIS 2012



Completaram-se anteontem, terça-feira (17), dois meses de greve dos professores das instituições federais de ensino. Os ministério do Planejamento e da Educação apresentaram uma proposta de reajuste salarial; porém, essa foi recusada.
Houve uma proposta de reajuste de até 45% em até três anos, que até 2015 seria paga em parcelas. Para a Andes (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior) essa proposto piorou o quadro.
O governo está vendo o crescimento das paralisações e não se manifesta, o que afera ainda mais os setores da educação. A ampliação está sendo cada vez mais rápida e o governo está com maiores chances de perder o controle da situação.
Só no Rio de Janeiro, por exemplo, estão em greve a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal do Estado Rio de Janeiro (UniRio), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), além da Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) e as unidades do Colégio Pedro II.
De acordo com os professores de algumas dessas unidades, a greve não é somente por um acordo salarial e, sim, por melhorias na carreira, e, de fato, esse 'pedido' está sendo ignorado.
Segundo o professor do Cefet-RJ e membro do comando de greve da instituição, Alberto de Lima, os professores devem recusar a proposta do governo e manter a greve.

Marinara Albuquerque 
2º Ano EM - Colégio Pedro II  

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O DISCURSO PROIBIDO


Em 16 de dezembro de 1968, três dias após a decretação do AI-5, a solenidade de colação de grau dos concludentes da Universidade Federal do Ceará, que seria realizada na concha acústica da Reitoria, foi cancelada pela censura.
Trinta anos depois, em 16 de dezembro de 1998, a solenidade foi finalmente realizada, na mesma concha acústica, com todas as formalidades e emoções que a ocasião merecia.
O orador oficial escolhido à época pelos formandos, o coreauense Galba Gomes leu, na solenidade simbólica, o mesmo discurso que havia elaborado há 30 anos.
Tive o privilégio de ler o "discurso proibido", uma obra-prima que retrata fielmente os sentimentos de uma geração brilhante, além da profusão intelectual, coragem e consciência político-social do jovem odontólogo de origem palmense.  
Trata-se de uma ode às causas que comovem: a liberdade, a justiça social, a educação para todos, o desenvolvimento econômico com respeito à dignidade da pessoa humana... Uma ode demasiadamente atual, já passados quase 45 anos, posto que quase todas as questões que afligiam o jovem Galba Gomes ainda insistem em perturbar nossos dias. 
Galba Gomes pintou, com o pulsar de suas veias, um memorável quadro da nossa história. E, ao contrário de muitos "yuppies sabor baunilha", permanece na luta pela construção de um mundo mais justo.  
Eis o fecho do "discurso proibido", uma página sublime do "rebelde sem pausa", o maior nome das letras palmenses: 

"(...) ocupemos o nosso território; mecanizemos a lavoura; asseguremos a vida atual e a futura das nossas populações rurais; humanizemos a existência dos nossos operários; e eduquemos a nossa juventude para a construção do Brasil como potência mundial. Criemos as nossas indústrias de base. Incrementemos a nossa produção de petróleo. Desenvolvamos as nossas forças produtivas em todos os sentidos.
Aumentemos o número de nossas escolas primárias, médias e superiores. Formemos bons professores. Implantemos no Brasil o ensino gratuito. Enfim, pelo nosso desenvolvimento, asseguremos um mercado de trabalho para os que se preparem para a vida nas faculdades e universidades do País.
Juremos, meus colegas, batalhar pela grandeza material do Brasil. Mas juremos também lutar contra a injustiça social, contra a revogação tácita dos direitos do homem pelos códigos e constituições ditatoriais. Fechemos nossas portas aos estrangeiros que ainda hoje cobiçam nossas riquezas, mas abramos nossos braços àqueles que, emigrando de suas pátrias, queiram trabalhar conosco, ombro a ombro, respeitando e amando nossa bandeira.
E que nosso juramento não passe de mera formalidade. A nossa geração responde pelo futuro do Brasil. Identifiquemos a nossa vida com o futuro do Brasil: nos sofrimentos, nos sonhos, nas esperanças. Dentro de alguns minutos, o destino colocará entre nós a distância física exigida pela diversidade de nossas profissões. Mas estejamos certos de que se faz necessário um ponto de encontro, na encruzilhada de nossos caminhos. Esse ponto de encontro, vós bem o adivinhais: é o futuro de nosso País." (Galba Gomes)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

DICA DE VIAGEM - BsAs


DIÁRIO DE VIAGEM


Chegamos a Buenos Aires num começo de noite fria de inverno. Na primeira vez que estivemos (Aury e eu) em terras portenhas -- há cinco anos e meio atrás --, viemos para curar as dores de uma perda gravídica espontânea traumática.
As muitas alegrias que aquele final de ano quente de verão nos proporcionou viemos retribuir com mais alegria renovada. Uma alegria que possui nome e sobrenome: João Pedro Fontenele Meneses. Nosso filho querido que nos acompanha nesta viagem, com apenas quatro anos de idade mas com muitas milhas  já percorridas.
Um vento gélido na saída do aeroporto saudou nosso retorno. Cruzando a envelhecida área suburbana, as emoções recrudesceram, especialmente quando numa curva de um alto viaduto nos alcançaram as luzes da Av. 9 de Julio com seu majestoso obelisco ao fundo.
Naquela primeira noite, exaustos da longa viagem e padecendo com o frio severo -- o maior que já havíamos sentido (0º) -- não passamos da esquina da Av. Corrientes com a calle Junín. Fizemos umas compras básicas num comércio e logo em seguida, trêmulos de frio, voltamos para dormir. 
Na manhã seguinte fomos ao city tour: Plaza de Mayo, com sua Casa Rosada e Catedral Metropolitana; La Boca, passando por La Bombonera e Caminito; Palermo, Recoleta, San Telmo e Porto Madero, finalizando numa excelente casa de tango vizinha ao Obelisco, onde almoçamos um excelente bife de chorizo regado a muito vinho. No city tour compramos um CD com clássicos de Gardel e Piazzolla.
À tarde fomos às Galerias Pacífico, na calle Florida. Algumas compras, um café, alfajores... Voltamos de táxi ao hotel, à noite teríamos show de tango. Às 20h30min já estávamos no Señor Tango, a mais conceituada casa de shows da cidade, conduzida pela voz inefável de Fernando Soler, um dos maiores intérpretes argentinos da atualidade. No repertório, predominantemente Gardel e Piazzolla.
João Pedro dormiu até o show começar. Depois aplaudiu cada tango efusivamente. 
Na manhã seguinte fomos ao zoo de Palermo. Ficamos por lá até o fim de tarde em meio a bichos oriundos do mundo todo, de tigres siberianos a sucuris amazônicas... A programação do dia foi dedicada ao João Pedro, que passou o dia todo saltitante dando comida para os animais. À noite, exaustos, mais bife de chorizo e vinho no restaurante do hotel mesmo, com o João Pedro dormindo de lado.
Na manhã de hoje fomos às compras de livros, nas inúmeras livrarias e sebos que fizeram de Buenos Aires a capital mundial do livro em 2011. Logo na primeira adquiri Las Venas Abiertas de América Latina, de Eduardo Galeano. Depois vieram Borges, Sábato, em poesia, em prosa, e mais Borges, para uns amigos diletos... Fiquei sinceramente impressionado com o mercado de livros da cidade. Compra-se livro tal como se compra jornal. Todos os dias. Livros de todos os gêneros, de todas as línguas, de todas as áreas do conhecimento. São milhares de livrarias e sebos, muitas umas ao lado das outras. Todas permanentemente com alguns clientes folheando os livros, realidade muito diferente da nossa. Não sei se por influência de Jorge Luis Borges, que viveu embrenhado em bibliotecas, lendo muito e escrevendo sua obra genial. Aliás, Borges lamentou ter perdido o Nobel de Literatura de 1979 para um desconhecido escritor indiano não pelo prêmio em si, mas pela enorme tristeza do povo argentino, que sofreu sua derrota tal como uma eliminação da seleção nacional numa copa do mundo de futebol. 
Almoçamos num simpático restaurante patagônio em Porto Madero. No cardápio, bife de chorizo e vinho... À tarde fomos ao Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires - MALBA. Obras incríveis encontramos por lá, praticamente todas de viés libertário. Pena que duas das principais -- o Auto-retrato de Frida Kahlo e Abaporu de Tarsila do Amaral -- haviam sido emprestadas para uma exposição. 
Ao cair do crepúsculo, regressamos para a 9 de Julio e tiramos algumas fotos do imponente Teatro Colón, o terceiro de melhor acústica do mundo, um orgulho nacional. Depois, um McDonald's para o João Pedro, um café para nós e a pé seguimos pela Corrientes até o hotel. No caminho alguns souvenirs e mais livros.
No quarto do hotel, no momento, com João Pedro dormindo, tomamos uma Quilmes e escrevemos estas linhas...  

quinta-feira, 12 de julho de 2012

SEÑOR TANGO


Desde el alma (Rosita Melo): Tango-valsa. Ponto alto do Señor Tango, grande espetáculo recomendável para todos os amantes da arte. "Como un acróbata demente saltaré, sobre un abismo de tu escote hasta sentir que enloquecí tu corazón de libertad..." Buenos Aires – Argentina