sexta-feira, 30 de maio de 2008

Papillon


Na voz da corrente eu vou penetrando,
Eu sigo meus planos, eu sigo cortando,
Deixando pra traz um atroz desengano.

Na mata cerrada não vejo cantando,
O pássaro negro de olhar tão tirano.
No encalço abjeto magote mundano.

Na frente me guia uma luz flamejando.
Esperança de fuga de um olhar leviano,
Que não pode deter o meu passo cigano.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Não ando atrás de façanhas.
Me assombra todo heroísmo.
Minhas ilusões são tacanhas.
Me tangeu a vida do cinismo.
Fatigado da ostensiva leviandade,
Fico no meu quarto enclausurado,
Vendo o desfile altivo da veleidade,
Que viola o meu ego acabrunhado.

domingo, 11 de maio de 2008

Olha a lua cheia que vai surgindo,
Espalhando seus raios pelo mar,
Na floresta a onça segue rugindo,
A gaivota impávida voando no ar.
O canto da tribo ressoa pungente,
Pro barulho a toda gente alcançar,
Flameja o coração do meu povo,
No terreiro reunido para cantar,
Uma lágrima rompe dos meus olhos,
Ao ver minha gente feliz festejar,
Rio e choro ao toque dos tambores,
Que toda a floresta parece animar,
Quisera nunca essa festa acabasse,
Sempre houvesse algo a comemorar,
Pena que o branco invade nossa terra,
Com seus direitos nos força a emigrar!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

De todas essas andanças
Não me restou quase nada:
Só um velho carcomido,
Carregado de lembrança
E um punhado de saudade.
Nasci em véspera de mudança,
De nômade acabei sedentário,
Trazendo pedaços de verdade,
Errante em sinuoso itinerário.
Na lida do eito nunca laborei.
Por herança me fiei na pescaria.
Na água turva do açude hesitei:
Pau nascido torto, torto morreria.
No rádio tocavam modas antigas,
No céu prenúncio de sólido verão,
Mamãe me ninava tristes cantigas,
Desde criança me seguiu a solidão.
Indo embora para a Palma,
À Volta não mais regressei,
Na beira do açude talhei minha alma,
Amigos e parentes para sempre deixei.
Lembranças não ficam sempre conosco,
Vêm e se vão sem nem perguntar...
Há sabido caindo no fundo do poço,
Há estúpido fugindo do seu limiar.

sábado, 12 de abril de 2008

ATRAVESSANDO O MAL DO SÉCULO

Não estou cansado da vida,
A vida é que está cansada de mim.
Me seduzi por atrações banais,
Futilidades que ainda me atraem,
Me furtam um sorriso insosso e se vão.
Não adianta dissimular, estou esgotado.
Não sei o quanto resistirei,
Ainda que assegure lutar até o fim;
Afinal, o fim é o nada que nos persegue,
A curva de uma rua deserta.
Mas não tenho medo da rua,
Nem de caminhos desertos.
Eu temo mesmo é a vida dolorosa,
O desamor que me pode cercar.
Nem a arte mais me consegue alentar,
Nem o vento que varre a minha face...
Não hei de publicar livro algum.
Quem perderia tempo com lamentações?
Não adianta, leitores de um escritor natimorto,
Vão-se, muitos outros lhes esperam!
Não percam tempo precioso comigo.
Não tenho nada a lhes oferecer.
Meus lamentos não lhes servem,
Seus consolos tampouco servem a mim;
Portanto, podem ir, eis o seu caminho!
Eu fico a admirar-lhes os passos certeiros.
Os meus são incertos, claudicantes amiúde.
Não quero tomar o tempo de ninguém, sigam!
Ainda que só para me deixar em paz!
Vão-se, me deixem padecer sozinho.
Não se detenham, os despropósitos aparecerão.
Poderei lhes espraguejar gratuitamente.
Deixem-me ficar com a consciência tranqüila,
Por não lhes lançar impropérios desmerecidos.
Meu tédio é intenso, minha fadiga danada.
Inteligência? Emocional? - Não sei do que se trata!
Me desespero facilmente, desproposito.
Não quero nada, peço apenas que me larguem,
Ainda que ninguém me esteja tocando.
Não quero olhares esquivos, nem braço a me erguer.
Prefiro ficar deitado, com olhar vago no céu,
A seguir torto esse caminho, a cair ao longo da estrada.
Ou talvez não! Se Deus ajudar, ainda poderei caminhar,
Sentir ainda um ar fresco, um rio de águas cristalinas.
Irei ganhando forças, pelo caminho sinuoso que escolhi.
Caminho árduo, mas se o reputo acertado, hei de segui-lo.
Depositando minha esperança breve nesse caminho longo!
Nos compram o que temos
Disponível para vender.
Nos compram o trabalho
E pedaços do frágil viver.
Nos deixando segregados,
Companheiros da saudade,
Petulantes, seguem adiante,
Sequiosos, assumem rompante,
Atalhando nosssa hombridade.

quarta-feira, 26 de março de 2008


Palmilhar o impossível nas asas da poesia
É inquietante receita de buscar harmonia,
É sonhar acordado, despertar de novo dia,
Viajar por intrigante paragem da fantasia.

domingo, 23 de março de 2008

Amazônia

No embalo do "progresso",
A floresta vai ao chão,
Campos férteis mas vazios,
Máquina em meio à plantação.

O dono da terra acabou tangido,
Os animais forçados à migração.
Na pastagem, cadência de mujido,
Dita a ordem da algoz civilização.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Eu sou aquele que vem chegando
Quando a noite parece sumindo,
Pra dizer que para além da noite
Há a luz de uma aurora surgindo.
Não tento deixar rastro no caminho
Nem revelar qual será meu destino.
Andando na contramão do redemoinho,
Sem armas nem coragem mas seguindo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

MOMENTO JURÍDICO

"(...) l'interesse ad agire sorge dalla necessità di ottenere dal processo la protezione dell'interesse sostanziale; pressuppone perciò l'affeermazzione della lecione di questo interesse e idonietà del provvedimento domandato a proteggerllo e soddisfarlo. Sarebbe infantti inutile prendere in esame la domanda per concedere (o negare) il provvedimento chiestro, nel caso che nella situazione di fatto che viene prospettata non si rivenga affermata una lesione del diritto od interessse qui si vanta verso la contraparte, o se gli effeti giuridici che se attendono dal provveedimento siano comunque già acquisit, o se il provvedimento sia per se stresso inadeguato o inidoneo a rimuovere la lesione, od infine se il provvedimento domandato non può essere pronunciato, perchè non ammesso dalla legge." (Liebman, Manuale de Diritto Processuale Civile, 4ª ED. Giuffrè, 1980, V, I, p. 134).

"(...) Contumace è più propriamente, la parte che non si è costituita nel processo, cioè quella che non ha provveduto a legitimare il suo difensore, o se stessa in tale qualità, nei casi consentiti presso il giudice della causa’ (Liebman, Manuale di Diritto Processuale Civile, II/170, 1974)."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Universal pelo Regional


"Pinta tua aldeira e pintarás o mundo". Tolstoi

"La única calle de mi pueblo llega a todas partes". Floridor Pérez (poeta chileno)

"O Tejo é mais belo que o rio que
corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que
o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia". Pessoa

P.S.: O rio que corre pela minha aldeira é o "caudaloso" Coreaú, por isso o reputo o mais belo que corre pela minha aldeia... Quando corre!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Críticas e sugestões: fcoeliton@ibest.com.br
Não quero repetir os mesmos erros,
Que há muito ecoam pelos ares.
Humanas desventuras, padecimentos,
Desassossego, nas ruas e nos lares.
O vil metal, muitos conflitos,
Que germinam em todos os lugares.
Quero falar de coração, de amor,
De um mundo repleto de cantares.
De uma sonata indelével,
Apaziguando o ímpeto dos mares.
Eu quero falar de coisas singelas,
Da brisa e do calor dos raios solares,
Das mulheres, que riem e que choram,
Contemplando-nos com límpidos olhares.
Eu quero um sorriso de criança,
Refletindo as harmônicas estelares!