sábado, 12 de abril de 2008

ATRAVESSANDO O MAL DO SÉCULO

Não estou cansado da vida,
A vida é que está cansada de mim.
Me seduzi por atrações banais,
Futilidades que ainda me atraem,
Me furtam um sorriso insosso e se vão.
Não adianta dissimular, estou esgotado.
Não sei o quanto resistirei,
Ainda que assegure lutar até o fim;
Afinal, o fim é o nada que nos persegue,
A curva de uma rua deserta.
Mas não tenho medo da rua,
Nem de caminhos desertos.
Eu temo mesmo é a vida dolorosa,
O desamor que me pode cercar.
Nem a arte mais me consegue alentar,
Nem o vento que varre a minha face...
Não hei de publicar livro algum.
Quem perderia tempo com lamentações?
Não adianta, leitores de um escritor natimorto,
Vão-se, muitos outros lhes esperam!
Não percam tempo precioso comigo.
Não tenho nada a lhes oferecer.
Meus lamentos não lhes servem,
Seus consolos tampouco servem a mim;
Portanto, podem ir, eis o seu caminho!
Eu fico a admirar-lhes os passos certeiros.
Os meus são incertos, claudicantes amiúde.
Não quero tomar o tempo de ninguém, sigam!
Ainda que só para me deixar em paz!
Vão-se, me deixem padecer sozinho.
Não se detenham, os despropósitos aparecerão.
Poderei lhes espraguejar gratuitamente.
Deixem-me ficar com a consciência tranqüila,
Por não lhes lançar impropérios desmerecidos.
Meu tédio é intenso, minha fadiga danada.
Inteligência? Emocional? - Não sei do que se trata!
Me desespero facilmente, desproposito.
Não quero nada, peço apenas que me larguem,
Ainda que ninguém me esteja tocando.
Não quero olhares esquivos, nem braço a me erguer.
Prefiro ficar deitado, com olhar vago no céu,
A seguir torto esse caminho, a cair ao longo da estrada.
Ou talvez não! Se Deus ajudar, ainda poderei caminhar,
Sentir ainda um ar fresco, um rio de águas cristalinas.
Irei ganhando forças, pelo caminho sinuoso que escolhi.
Caminho árduo, mas se o reputo acertado, hei de segui-lo.
Depositando minha esperança breve nesse caminho longo!
Nos compram o que temos
Disponível para vender.
Nos compram o trabalho
E pedaços do frágil viver.
Nos deixando segregados,
Companheiros da saudade,
Petulantes, seguem adiante,
Sequiosos, assumem rompante,
Atalhando nosssa hombridade.

quarta-feira, 26 de março de 2008


Palmilhar o impossível nas asas da poesia
É inquietante receita de buscar harmonia,
É sonhar acordado, despertar de novo dia,
Viajar por intrigante paragem da fantasia.

domingo, 23 de março de 2008

Amazônia

No embalo do "progresso",
A floresta vai ao chão,
Campos férteis mas vazios,
Máquina em meio à plantação.

O dono da terra acabou tangido,
Os animais forçados à migração.
Na pastagem, cadência de mujido,
Dita a ordem da algoz civilização.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Eu sou aquele que vem chegando
Quando a noite parece sumindo,
Pra dizer que para além da noite
Há a luz de uma aurora surgindo.
Não tento deixar rastro no caminho
Nem revelar qual será meu destino.
Andando na contramão do redemoinho,
Sem armas nem coragem mas seguindo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

MOMENTO JURÍDICO

"(...) l'interesse ad agire sorge dalla necessità di ottenere dal processo la protezione dell'interesse sostanziale; pressuppone perciò l'affeermazzione della lecione di questo interesse e idonietà del provvedimento domandato a proteggerllo e soddisfarlo. Sarebbe infantti inutile prendere in esame la domanda per concedere (o negare) il provvedimento chiestro, nel caso che nella situazione di fatto che viene prospettata non si rivenga affermata una lesione del diritto od interessse qui si vanta verso la contraparte, o se gli effeti giuridici che se attendono dal provveedimento siano comunque già acquisit, o se il provvedimento sia per se stresso inadeguato o inidoneo a rimuovere la lesione, od infine se il provvedimento domandato non può essere pronunciato, perchè non ammesso dalla legge." (Liebman, Manuale de Diritto Processuale Civile, 4ª ED. Giuffrè, 1980, V, I, p. 134).

"(...) Contumace è più propriamente, la parte che non si è costituita nel processo, cioè quella che non ha provveduto a legitimare il suo difensore, o se stessa in tale qualità, nei casi consentiti presso il giudice della causa’ (Liebman, Manuale di Diritto Processuale Civile, II/170, 1974)."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Universal pelo Regional


"Pinta tua aldeira e pintarás o mundo". Tolstoi

"La única calle de mi pueblo llega a todas partes". Floridor Pérez (poeta chileno)

"O Tejo é mais belo que o rio que
corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que
o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia". Pessoa

P.S.: O rio que corre pela minha aldeira é o "caudaloso" Coreaú, por isso o reputo o mais belo que corre pela minha aldeia... Quando corre!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Críticas e sugestões: fcoeliton@ibest.com.br
Não quero repetir os mesmos erros,
Que há muito ecoam pelos ares.
Humanas desventuras, padecimentos,
Desassossego, nas ruas e nos lares.
O vil metal, muitos conflitos,
Que germinam em todos os lugares.
Quero falar de coração, de amor,
De um mundo repleto de cantares.
De uma sonata indelével,
Apaziguando o ímpeto dos mares.
Eu quero falar de coisas singelas,
Da brisa e do calor dos raios solares,
Das mulheres, que riem e que choram,
Contemplando-nos com límpidos olhares.
Eu quero um sorriso de criança,
Refletindo as harmônicas estelares!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Meus olhos ainda marejam,
Meu coração a palpitar.
Eu vi uma criança faminta
Num reles lixo a procurar
Migalhas lançadas, sobejo,
Para a fome terrível aplacar.

Não faço verso perfeito,
Nem verso ouso ostentar.
Prefiro instigar com defeito
Com sensata voz descerrar.
Os braços cruzados, covardes,
E as almas pro mundo acordar!
Eu não faço poemas severos,
Que a severa pena me tenta
Um sonho lânguido apagar.

Eu não inflijo penas amargas,
Que o sabor amargo permeia
Minhas veias no peito a pulsar.

Eu não faço amores sombrios,
Com mulheres sedentas, vazio,
Prefiro esquivar-me e sonhar.

Prefiro levar-me nas vagas,
Indolente tormenta revolta,
Engolido com a nau, afundar.
Serenai, serenai,
Oh, mar revolto!
Ide procela ímpia, indomável,
Fruto insano da vil opressão.

Vagas, abrandai!
Vinde céu límpido,
Terra firme no horizonte,
Avultai, alívio da embarcação!

Descerrai, olhos incautos.
Temei o canto das serenas
Evitai infames tribulações.

Olhai do lado, braços fatigados.
Vileza lançada em alvos desarmados,
Membros de uma mesma geração ...

Perdi o tempo e a réstia da esperança.
Quando quis voltar não encontrei caminho.
Fiquei a final perdido na estação vazia,
olhando confuso a estrada longa que seguia.

Em volta, grotescas formas se moviam.
Os pensamentos vagavam em nostalgia.
Os pés fatigados pararam na noite fria.
Os olhos só abriram no raiar do novo dia.